MULHER E FILHOS DO AGENTE QUE QUIM RIBEIRO MANDOU MATAR MENDIGAM PARA COMER

“Desde o assassinato do meu esposo, Domingos Fonseca Mizalaque “Miza”, Eu sobrevivo de pessoas de boa fé, para dar de comer os três filhos que tenho, porque o salário de trinta mil kwanzas que ganho, não chega para cobrir as despesas de casa”, disse recentemente ao Jornal Hora H, Ester de Sousa, com os olhos cheios de lágrimas.



Eu, sempre que estou deitada no colchão, oro para que o “Miza”, onde ele estiver, para enviar alguém que possa nos ajudar, pelo menos só meter a estudar as crianças: – “só quero que as crianças não param de estudar, porque uma quer ser médica, a outra professora e o rapaz diz querer ser polícia, como o pai dele”, afirmou Ester. Enquanto durava a entrevista, os filhos e a mãe, não paravam de chorar do desaparecimento físico de Domingos Fonseca Mizalaque, funcionário dos Serviços Prisionais, por assassinato. Na ocasião, houve momentos em que interrompíamos a entrevista para acalmá-las, mas a desgraça e a vontade de viver, tomava conta daquela família.

Actualmente, a segunda mulher de “Miza”, Ester de Sousa vive num terreno baldio, onde a mesma construiu um quarto, para se acomodar com as crianças, porque segundo Ester, quando o seu esposo morreu viviam em casa de renda, no município de Viana. De acordo com as condições que a equipe de reportagem do “Hora H” constatou, a residência é de um quarto apenas, que é repartido com uma mesa de plástico, quatro cadeiras, um colchão exposto no chão, onde dormem mais de cinco pessoas e um fogão sobre blocos. “Desde que ele morreu, a família só conhece sofrimento”, atirou Ester em lágrimas, disse não conhecer Quim Ribeiro, sabe apenas que é o autor do sofrimento dela e de seus filhos, porque quando começou o julgamento foi posta de parte, e a primeira mulher é que ficou em frente do processo, até ao desfecho deste episódio.

“Eu sofro muito. Quando o Miza morreu tínhamos este terreno (10/15). Já tínhamos burgau e areia, mas pela demora roubaram tudo. Tive que me esfolar para poder comprar areia e construir este quarto onde estamos”, explicou acrescentando que, para sobreviver, dá graças a irmã do primeiro esposo, que arranjou-lhe uma vaga numa empresa, como funcionária de limpeza. “Fiz este favor porque o Miza também me ajudava a criar os meus primeiros filhos”, lembrou. Os filhos de Mizalaque que, à data dos factos tinham 6, 3 e 11 meses, hoje estão com 15, 13 e 10 anos de idade.

“O que sei, da morte do meu marido, é que neste mesmo dia, levou o seu neto para o hospital e, quando regressava, o Joãozinho ligou para lhe apoiar, porque o carro dele (Joãozinho) estava avariado. Mas, infelizmente o Joãozinho já estava a ser perseguido pelos homens do Quim Ribeiro. Quando o Mizalaque apanhou o amigo, e estava a levar-lhe para o Zango 0, o Miza deu conta que estavam a ser perseguidos por duas viaturas. Os assassinos fizeram ultrapassagem e furaram os pneus do carro do meu marido. Cercaram os mesmos e depois ligaram para o
Quim Ribeiro, a avisar que já tinham o Joãozinho em sua custódia, mas que estava acompanhado com um senhor. Aí, Quim Ribeiro ordenou para regar todos. “A família do Miza e o Ministério do Interior não me apoiam: – a primeira mulher ficou com a casa e tudo que ele tinha, nunca vi nada desde que o meu marido morreu. Os meus filhos nunca receberam nada”, disse. Segundo a segunda esposa de Domingos Fonseca Mizalaque, que falou em exclusivo ao Jornal Hora H, “Miza estava na hora e local errado, quando os assassinos, ordenados por Quim Ribeiro dispararam a queima-roupa, contra um oficial da Polícia Nacional e o meu marido, que era funcionário dos Serviços Prisionais”. E, neste dia eu estava a sair acarretar água, e depois dois dos amigos do “Miza” vieram ter comigo, mas tinham receio como me transmitir o recado, e depois um deles ganhou coragem e perguntaram-me: – “mãe, o tio Miza, quando foi trabalhar saiu com que roupa?” Eu respondi que não me lembro, porque estes dias não está a vir em casa, porque estamos brigados.

Aí, eles disseram: – “é preciso ter coragem, porque o teu marido está morto”.


COMO RECEBEU A NOTÍCIA DA MORTE DE MIZA

Depois de receber a notícia da morte do Miza, perdi forças e comecei a chorar amargamente, e minutos depois, apareceu um amigo do meu marido e levou-me até ao Zango, onde o Domingos Mizalaque havia sido assassinado, pelos elementos contratados pelo ex-comandante de Luanda, Quim Ribeiro mas, quando chegamos lá, o corpo e o carro já não estavam no local. Mas, quando chegamos, as pessoas que estavam nos arredores, perguntaram-me se “o teu marido é aquele que trabalha nos Serviços Prisionais? – Eu disse que sim. Elas disseram que, “depois de removerem o corpo, veio um camião que também levou o carro dele, até no Comando Municipal de Luanda”.

Aí regressei para casa e encontrei as crianças e os vizinhos a chorarem”, frisou Ester de Sousa ao “Hora H”. E, as pessoas foram falando que o “Miza” estava a sair deixar a neta no Hospital, e recebeu uma chamada do amigo “Joãozinho”, a pedir que lhe fosse ajudar, porque o pneu do carro dele havia furado; – aí o Miza foi ao encontro dele, e quando iam para o Zango 0, o meu esposo olhou no retrovisor e viu que estavam a ser perseguidos, logo informou ao amigo, que lhe pediu para não parar; – os assassinos quando se aproximaram, mandaram parar o carro e de seguida furaram as rodas e atiraram à queima-roupa nos dois. “Não acompanhei o julgamento dos assassinos do meu esposo, porque quando foi constituído o processo, disseram que só a primeira mulher é que tinha direito e, neste momento, os três filhos que tenho no seu registo, não levaram o nome do pai, porque até os familiares do Miza não me apoiam: – eu só quero que os meus filhos não param de estudar”, suspirou Ester.

“Quando o meu marido morreu, as crianças ficaram dois anos sem estudar, porque não tinha quem podia me ajudar, e depois fui pedir ajuda para pagar as propinas no colégio, onde o falecido havia lhes matriculado e, no terceiro ano fui pedir num dos tios, para poder inscrever as crianças e procurou lhes matricular numa escola pública. Agora, a mais velha vai fazer a 10ºclasse no próximo ano de 2020, não sei onde pedir ajuda, porque os 30.000Kz (trinta mil kwanzas) que ganho, não chega para nos sustentarmos”, desabafou. “Eu não quero que os meus filhos parem de estudar, por favor me ajudem, a mais velha diz que quer ser médica, a menor professora e o mais novo polícia, como o pai dele”, clama a mulher que alega ser vítima de Quim Ribeiro.

A empresa onde eu trabalhava “Olilimpa”, quando foi a falência, apareceu dois chefes de boa fé, que falou com o director da instituição que, na qual prestávamos serviços, para poder contratar outra empresa, assim, fui novamente enquadrada. A fonte que o “Hora H” vêm citando, acrescentou que Ester descreve o parceiro como “o homem que eu tinha, enquanto vivíamos, não arranjava problemas com ninguém, até mesmo eu, quando se complicávamos ele pegava e saía, para evitar barulho, ele era conselheiro. Como ele trabalhava aqui em Viana, nos Serviços Prisionais e saía as quinze horas, quando forem e trinta, vás ouvir o carro aí fora, é ele, isso é o que mais me lembro!

CASO SE ENCONTRARES COM QUIM RIBEIRO QUE MANDOU MATAR O SEU MARIDO “MIZA” O QUE LHE DIRIAS?

“Não lhe diria absolutamente nada, porque até, ele já morreu, por mais que eu falar com ele, não vamos ter de volta o meu marido, e acredito que não poderia tocar neste assunto, para não abrir as feridas que nunca curaram… e tenho deixado nas mãos de Deus, tudo que este assassino fez na família de Domingos Fonseca Mizalaque “Miza”, e a mim mesma”, disse Ester.

Já passaram dez anos, desde que o pai deles morreu; eu tenho atravessado muitas lutas com estas crianças: – há momentos que não consigo dinheiro para trançar o cabelo das crianças, para irem à escola, nas festas da escola e até mesmo roupa, para irem se representar com traje africano. “Pai, muitas vezes o que faz nós as mães, pensar os nossos maridos que já morreram, muitas vezes não é o amor, é o sofrimento, eu só quero que os meus filhos sejam formados, para amanhã me ajudarem”, afirmou a viúva Ester dos Santos, com os olhos vermelhos e cheios de lágrimas. De recordar, que o antigo comandante provincial de Luanda da Polícia Nacional, comissário Joaquim Ribeiro condenado a 22 anos de prisão maior, em 2013, pelo Supremo Tribunal Militar, por ter sido o autor moral do assassinato de dois colegas seus, está em liberdade. Joaquim Vieira Ribeiro, foi posto em liberdade condicional, após ter sido abrangido na Lei de Amnistia, e por ter tido “bom comportamento na penitenciária”, segundo o porta-voz dos serviços penitenciários, Menezes Cassoma.

“A partir deste dia 23, o Joaquim Vieira Ribeiro fica em liberdade condicional, em função de uma decisão tomada pelo Tribunal Supremo”, disse. O porta voz esclareceu que, ao abrigo de uma amnistia decretada em 2015, a pena de “Quim” Ribeiro foi reduzida “em um quarto da pena”.“Cumpridos os outros postulados, que são do cumprimento de metade da pena com boa conduta, beneficiou da liberdade condicional”, esclareceu. O jurista Manuel Pinheiro, descreveu a libertação como uma medida “normal” e sublinhou que nesta condição, Quim Ribeiro fica proibido de cometer qualquer crime, para que não seja reconduzido à cadeia com agravantes.

Quim Ribeiro era acusado de ser o autor moral da morte de Domingos Francisco João, então oficial superior da Polícia, destacado na Divisão de Viana e o seu amigo Domingos Fonseca Mizalaque. Constava da acusação que, em Agosto de 2009, alguns réus foram à residência de Fernando Gomes Monteiro, então funcionário do BNA, de onde levaram uma mala com dinheiro. Posteriormente, parte do dinheiro foi dividido entre os efectivos que efectuaram a busca, e o então comandante Quim Ribeiro. O assunto veio a público, devido a uma denúncia de Domingos Francisco João “Joãozinho”, então oficial superior da Polícia destacado na Divisão de Viana. De acordo com a acusação, Quim Ribeiro, apercebendo-se que Joãozinho sabia de tudo e estava disposto a revelar a verdade, mandou-o matar. A outra vítima mortal, Domingos Mizalaque foi morto, porque estava a dar boleia ao seu amigo Joãozinho.

Fonte: Jornal Hora H

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