É dado assente que a luta contra a corrupção levada a cabo pelo actual Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, imaginada pelo ex-presidente José Eduardo dos Santos, já que no seio do partido dos camaradas, da ala Marimbondos, apontam a iniciativa da luta ao presidente emérito do MPLA, tem sido principal factor de instabilidade social, que volta e meia verifica-se aqui e acolá.
No entanto, era impensável há coisa de seis anos, imaginar que generais como Zé Maria, o todo-poderoso Kopelipa, o Dino, Bento Kangamba ou ainda Higino Carneiro sentariam um dia no banco dos réus, ou seriam, no minino, interrogados.
Este grupo restrito de generais, mobília de sala do anterior presidente, detinha o poder e o monopólio de quase tudo.
Com a subida de João Lourenço ao poder, estes mesmos generais perderam centenas de milhares de dólares.
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Não se conhece negócios milionários onde estes generais não tinham tentáculos. Não se conhece casos de negócios do Estado com outras entidades onde estes generais não lucravam.
Talvez, dizem alguns grupos do MPLA, seja este um dos factores que tem levado com que João Lourenço seja combatido no seio do seu partido e noutros meandros.
“Esta gente era malvada, era perigosa e milionária. Não se aceita de bom grado que de repente sintam-se sem a galinha de ouro, não é fácil colocar um general como o Zé Maria no banco dos réus, estes senhores são, ou eram todos ricos…de repente sentem que podem perder quase tudo”, disse um político do MPLA que pediu anonimato.
“Quando o presidente José Eduardo escolheu o João Lourenço e Bornito de Sousa, tinha consciência que quase todos os políticos do MPLA não tinham moral política para levar este país a bom porto, o problema é que JES não sabia que JLO seria mais profundo e mais abrangente”, concluiu.
Para percebermos este ponto do nosso interlocutor, vale lembrar que, uma das jogadas de João Lourenço para efectivar a sua luta contra a corrupção, foi mandar para reforma vários ‘peões-generais’ que, mesmo com a idade para o efeito, mantinham os seus postos, vícios e negócios.
Aliás, esta iniciativa estava em carteira durante a presidência de JES.
Em 2017, de acordo com o Maka Angola, dos Santos reuniu o Conselho Nacional de Defesa e Segurança, para abordar propostas para os cargos de ministro da Defesa, de chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, de chefe de Estado-Maior do Exército, dos comandantes das regiões militares, assim como de outros postos importantes do exército, com vista a facilitar a vida de JLO.
O ex-presidente manifestara o seu interesse em passar à reforma alguns generais da sua inteira confiança, de modo que o seu sucessor tivesse condições para preparar a sua equipa.
José Eduardo dos Santos referiu-se especificamente aos casos do seu chefe da Casa de Segurança, general Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, do seu chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM), general Zé Maria, do antigo chefe da Unidade de Guarda Presidencial (UGP), general Alfredo Tyaunda; e do então chefe da Unidade de Segurança Presidencial (USP), general José Maua.
Projecto diferente
Enquanto se esperava uma governação de camaradagem e pompas, afinal, Lourenço tinha o seu próprio plano de governação, e não constavam da lista os preferidos de José Eduardo, que tinham o monopólio de quase tudo.
Em Dezembro de 2017,ao discursar na condição de vice-presidente do partido do MPLA, no encerramento do seminário realizado em Luanda, sobre o combate à corrupção, João Lourenço avisou aos seus partidários que não estava para brincar.
Na luta contra o cancro da corrupção que cada vez mais “roí e corroí”, o país acentuando deste modo os níveis de pobreza e miséria à maioria da população angolana, o Presidente da República, afirmou a necessidade de o Estado angolano recuperar o dinheiro retirado do erário e domiciliado por algumas figuras em diversos bancos no exterior do país.
Neste sentido, disse João Lourenço, o governo angolano de que é titular, vai no início do ano (2018) “estabelecer um período de graça durante o qual todos aqueles cidadãos angolanos que repatriarem capitais do estrangeiro para Angola e os investirem na economia, em empresas geradoras de bens, de serviços e de emprego, não serão molestados, não serão interrogados pelas razões de terem tido o dinheiro lá fora, não serão processados judicialmente ”, alertou, acrescentando que, findo esse prazo, “o Estado angolano tem direito de o considerar dinheiro de Angola e dos angolanos e como tal agir junto das autoridades dos países de domicílio, para tê-lo de volta em sua posse”.
Generais relaxaram
Para os generais, questões de generais seriam tratadas em fórum de generais. Já que o actual Presidente é general, então…sangue não fatiga sangue.
No tempo da velha senhora, uma simples zanga de um general com o chefe do Palácio, era motivo de medo. Para alguns sectores de proa dos camaradas, dos Santos temia muito os militares, principalmente os generais.
“O mais velho temia um golpe de Estado, também era muito mal aconselhado, esse foi um dos factores para ele permitir que os generais enriquecessem de forma vergonhosa”.
Miala, o mestre na espionagem
“É uma figura capaz de conter "possíveis rebeliões dos implicados na grande corrupção" contra o Presidente Lourenço”.
Para surpresa de todos, e como que se tivesse renascido das cinzas, em Março de 2018, João Manuel Gonçalves Lourenço nomeava o general Miala, preso e humilhado durante a presidência de José Eduardo dos Santos, para tratar do Serviço de Inteligência e Segurança do Estado.
Miala não é uma pessoa qualquer. O general da espionagem já foi vice-ministro do Interior para a área da Segurança, diretor do Serviço de Informação e diretor do Serviço de Inteligência Externa. Para Isomar Pedro Gomes, antigo quadro sénior da secreta angolana, em entrevista a DW, disse que a escolha de Francisco Miala visa, essencialmente, conter a grande corrupção que tomou conta da estrutura do Estado ao mais alto nível.
"É preciso ver que uma das funções principais da segurança do Estado em qualquer parte do mundo é precisamente a defesa da integridade do país e o principal sector da integridade do país é realmente a economia. E de um tempo a essa parte a economia foi seriamente atacada por indivíduos, ladrões, que danificaram gravemente o país", considerou o especialista.
Isomar Pedro Gomes, disse ainda que o general Garcia Miala, enquanto conhecedor profundo da segurança militar e doméstica, assim como da estrutura sectária do regime do MPLA, é uma figura capaz de conter "possíveis rebeliões dos implicados na grande corrupção" contra o Presidente Lourenço.
O especialista acredita que foi Miala quem forneceu os dados sobre o paradeiro das grandes fortunas no exterior".
Pedro Gomes justifica: "Miala foi a primeira pessoa que denunciou os desvios dos dinheiros vindos da China, no tempo de José Eduardo dos Santos, quando ele [Miala] implica José Van-Dúnem e o general Kopelipa e outros indivíduos".
Esta escolha acertou em cheio no estômago dos generais Zé Maria, Kopelipa e Dino, que tudo fizeram para que JES se afastasse do espião.
Generais de sentido
Em 2019, quando o Supremo Tribunal Militar colocou o general José Maria, ex-chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar em prisão domiciliária, sob acusação dos crimes de extravio de documentos, aparelhos ou objectos contendo informações de carácter militar e insubordinação tendo, inclusive, a antiga coqueluche de JES sair do Tribunal algemado, já estava em voga uma campanha contra a ala ‘Lourencista’ no seio dos camaradas e arredores.
O poder político não estava a proteger os corruptos, a justiça trabalha (va) normalmente, generais intocáveis passaram a ser ‘caçados’, então, dizem políticos do MPLA, houve a necessidade de se criar uma manobra de diversão para desacreditar a actual governação.
“Começaram por fazer subir o preço do pão, criaram dificuldades no abastecimento de combustível, enfim, estes senhores ainda detêm o monopólio de quase tudo, eles conseguem criar dificuldades ao povo, esta luta contra corrupção é muito abrangente e requer visão, paciência e inteligência. Os generais estão extremamente chateados com João Lourenço”.
Corrupção selectiva?
Para o nosso interlocutor, faltou visão naqueles que não acreditavam na seriedade do actual Chefe de Estado.
“Ele avisou que daria tempo de graça, aqueles que respeitaram os timings estão a trabalhar normalmente, aqueles que, para além de não cumprir, desafiaram, estão arrependidos e a sentir a mão pesada da justiça. Este é um dos motivos que faz com que haja essa guerra contra João Lourenço e o seu grupo de trabalho. Ainda haverá mais shows de diversão. Estas pessoas que eram poderosas e intocáveis e que agora vão perdendo bens a favor do Estado, tudo estão a fazer para atingir a imagem do presidente da República… eles não veem meios para fazê-lo, estão a usar tudo que têm para atingir o palácio”, explicou.
Vale recordar que, para além de alguns políticos condenados por corrupção, vários generais angolanos têm processos a decorrer na justiça, para além de vários bens serem arrestados. Há poucos dias, cerca de 24 edifícios e vários outros pertences dos generais Kopelipa e Dino passaram a esfera do Estado. Vários contratos e que lesaram o Estado em milhões de dólares seguem em investigação.
Na Mira do Crime
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