O «COCA-COLA» CONTRA O «BUFO» DA PIDE- SALAS NETO




Embora fosse «especializado» em futebol, nos tempos em que assumi o jornalismo desportivo praticamente a tempo inteiro, entre 1985 e 1995, também fazia incursões por modalidades como o andebol, com a qual tenho uma forte ligação sentimental. De resto, foi ele quem me proporcionaria dois dos momentos mais significativos do lado internacional da minha carreira, quando me foi permitido fazer como enviado especial do Jornal de Angola a cobertura de dois campeonatos mundiais em seniores femininos. O primeiro seria em 1990, em Seul, na Coreia do Sul, e o segundo, quatro anos depois, em Oslo, na Noruega. Foram viagens épicas.


Nunca tinha «andado» tanto tempo de avião, como no voo que fizemos de Londres a Seul, que durou 14 horas. Porra, um gajo dormia, acordava, nada, bebia, dormia, acordava, nada, era um bom martírio. Antes, aconteceria outra coisa também pela primeira vez, que por acaso nunca mais consegui bisar, apesar de ser um dos gajos mais viajados da região austral do continente: voar pela British Airways emtre Lisboa e Londres e vice-versa em primeira classe. Estava com o Aleluia, o meu saudoso chefe, amigo e compadre, na que seria a nossa única missão de serviço em conjunto. Não sei que esquema é que o gajo tinha arranjado para isto, já que o resto do percurso era todo entre os cabolas da económica. 

Fisioterapia ao domicílio com a doctora Odeth Muenho, liga agora e faça o seu agendamento, 923593879 ou 923328762

Assim que aterramos em Seul, fiz logo uma barafunda, por me estarem a revistar exageradamente. «Esta merda é racismo!», xinguilei aí num inglês da pimpa à babilónia, apontando para o porta-fatos preto no sentido de ser mais «eloquente»,enquanto o Aleluia, a quem praticamente os «defas» de lá não tocaram, ria-se a perder do espectáculo que eu fazia. «É o que dá não andar de fato, compadre», arranjou ele a explicação e lá me submeti ao incómodo «pente fino» sem mais relutar.


No entanto, os gajos são mesmo racistas. Mais do que os brancos. Negros que contam para eles só são os americanos, diferença que só cumbu fazia esbater um bocado. O bom é que estávamos mais ou menos bem em termos de massa, cada com uns quatro mil dólares para vinte dias. Dava até para sambar, o que só não aconteceu porque as gajas, cambuladas pela máfia do hotel, cobravam duzentos paus por cambalhota, a que se acrescia o pagamento de duas diárias extras. Era um absurdo. Preferimos ficar em branco. 

Acabamos por passar bem mal, mas muito mal mesmo, «através» da gastronomia dos camones: tudo era doce, incluindo o bife com ovos estrelados do pequeno-almoço americano que o hotel oferecia, a única coisa mais ou menos parecida ao que estamos habituados a papar. Safávamos com uma sopa instantânea que fazíamos com a água quente do lavatório da casa de banho e com uns nacos da perna assada não sabíamos de que animal, comprada num mercado de rua. Podia ser de cão. Resultado: mal amanhado para o inverno rigoroso do sítio, a trabalhar sobretudo às madrugadas e a comer porcaria, deixeei Seul a tossir sangue, o que me forçaria a ficar em Lisboa uns dias a mais, para recuperar a forma desportiva. Para morrer, afinal, não custa nada. E eu a pensar que estava a ir curtir uma viagem do caraças.


Já ao mundial da Noruega fui a solo. Quando cheguei a Oslo, já a selecção angolana estava no kimbo em que disputaria a primeira fase do campeonato, pelo que, algo desorientado, resolvi deixar-me ficar na capital, donde, aliás, podia acompanhar a marcha da competição. A noite chegava ao meio-dia e a temperatura batia os 10 graus negativos. Também voltei a ter problemas com a alimentação, mas por outro motivo: falta de dinheiro. É que, ao contrário do que se passava noutras viagens, sobretudo, por África, onde por 50 dólares se consegue um hotel jeitoso, lá pagava uma diária de 210, acima da correspondente ajuda de custo oficial.


Em função disso, vi-me obrigado a uma dieta de xandulas e refrigerantes, não tendo conseguido fazer sequer uma refeição digna desse nome durante todo o tempo que lá estive. «Lá vem o coca-cola (o preto)!», murrmuravam os empregados do hotel à minha chegada, ao que respondia com mais uma ginga, a dar uma de afro-americano, embora andasse a passar fome pior que um desgraçado agora já também de Angola.


Como havia ainda a conta diária do táxi do hotel para o pavilhão onde decorria parte do campeonato, o meu cumbu deu o berro a uns dois dias antes da final, o que me forçaria a abandonar o país sem acompanhar a partida decisiva da competição. Recuei para Lisboa, onde ainda tinha uns trocados por receber, na base dum daqueles esquemas que o Aleluia fazia quando o Estado não pagasse. Foi a partir de lá que fechei a cobertura da competição, apenas com base dos resultados, o que até era pacífico, tendo em conta que a selecção angolana já havia ficado na caducagem há bué. 

No entanto, SENDO o intriguista como o carvão, queimando quando não suja, um gajo que fez parte da delegação angolana ameaçou ir queixar-me no Jornal de Angola, por não ter coberto a final do mundial. Mas, como já tinha informado o meu chefe directo, o compadre Aleluia, sobre a ocorrência, mandei-lhe à merda. Desconheço se o homem cumpriu a ameaça ou não.   


O queixinhas, que até é meu avilo da pimpa, era à época o secretário-geral da federação angolana de andebol, que sábado vai a votos. O nome dele leva Almeida no fim, mas o meu preferido já sabem quem é. Nada de batota, ó coiso de lima!



Saiba mais sobre este assunto, clicando AQUI

Lil Pasta News, nós não informamos, nós somos a informação 

Postar um comentário

0 Comentários