O Hino de Vitória do Basquetebol Angolano- Sousa Jamba



É uma alegria rara e luminosa ouvir os angolanos cantar em uníssono — o hino da vitória. Neste mês, a nossa seleção de basquetebol pôs o país inteiro a aplaudir, a dançar, a agitar bandeiras. Mesmo aqueles que mal distinguem um pick-and-roll de um lance livre, que secretamente pensam que o basquetebol pertence apenas aos gigantes, não conseguem esconder o orgulho. Sonhamos, com ardor, que o adversário nunca mais será apenas Cabo Verde, mas qualquer um que tenha a ousadia de enfrentar a tempestade angolana.

Para o extremo Gakou, a vitória teve batida de coração: «O meu filho está prestes a nascer. Esta vitória é para ele, para a minha família. Nunca deixámos de lutar. Demos o nosso melhor.» A multidão respondeu em coro, consciente de que as suas vozes também tinham carregado a equipa. Coração encontrou coração. A 21 de Agosto, diante de 12.700 pessoas em Luanda, Angola venceu Cabo Verde por 90–80 e conquistou o primeiro apuramento para uma meia-final do AfroBasket em dez anos. Quatro jogos, quatro vitórias; os Camarões esperam. Os líderes de grupo — Côte d’Ivoire, Egipto, Nigéria — já tinham tombado. Angola manteve-se firme. História e esperança marcharam lado a lado, em vermelho, negro e amarelo.


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Parte deste renascimento está na arquitetura da equipa: um plantel pensado com rigor, que combina experiência veterana e juventude, campeões da casa e aventureiros globais. Bruno Fernando — o primeiro angolano na NBA, que passou por Atlanta, Boston, Houston e hoje domina a área pintada do Real Madrid — traz consigo a escola da NBA e uma presença imponente. Childe Dundão comanda o ataque com uma velocidade destemida, liderando a pontuação. Jilson Bango devora ressaltos; Sílvio Sousa acrescenta músculo e abafos. No perímetro, Gerson “Lukeny” Gonçalves, múltiplo MVP e hoje profissional em França, oferece liderança e visão de jogo; Selton Miguel injeta juventude e garra de dois lados do campo. Muitos cresceram em Petro de Luanda ou no Primeiro de Agosto; outros afiaram armas na Europa. Juntos, dão an Angola a combinação rara de atletismo, astúcia e profundidade para desafiar qualquer um em África.

Mas a história do basquetebol angolano vai muito além desta equipa. É uma narrativa estratificada, onde fé, ensino colonial, treino militar e zelo missionário se cruzaram com talento puro. As raízes são antigas. No centro metodista de Quessua, na província da Malanje — fundado na década de 1880 — missionários norte-americanos integravam o desporto no ensino. Alfabetização, agricultura, disciplina e um jogo estranho chamado basquetebol partilhavam o mesmo campo improvisado. Em Luanda, as aulas de educação física do Liceu Salvador Correia, já nos anos 1930, espalharam o basquetebol pela juventude urbana. Um ancião ainda recorda: «Quase todas as modalidades aqui — menos o futebol e o atletismo — começaram ali.»

Quem ensinava? Primeiro os instrutores militares portugueses e de educação física; depois os missionários americanos. A 8 de Maio de 1920, Luanda assistiu ao que a memória oral chama de “o primeiro jogo de demonstração”. Nos anos 1960, torneios interterritoriais já juntavam clubes de Angola e Moçambique. O Benfica de Luanda sagrou-se campeão português em 1967; o Sporting de Benguela fora o primeiro campeão nacional. Até o hóquei florescia. Após a independência, o basquetebol teve de ser relançado, mas as fundações eram sólidas.

E há um nome que se ergue sobre a era moderna: Victorino Cunha. Nos anos 80s, forjou as primeiras ligações do basquetebol angolano aos Estados Unidos, enviando jogadores a estágios e clínicas antes de existirem relações diplomáticas formais. O seu credo — disciplina, exposição internacional, trabalho de bairro — transformou o basquetebol num fenómeno nacional. “Qual é o segredo da força angolana?”, pergunta retoricamente um velho treinador. “A filosofia de trabalho de Victorino Cunha — e os miúdos a jogar nos bairros.” Em 1989, começou a idade de ouro: títulos africanos sucederam-se, e em Barcelona ’92 os nossos atletas enfrentaram Michael Jordan e Charles Barkley no palco olímpico.

Também não é o basquetebol apenas coisa de Luanda. Embora o litoral — Luanda, Benguela, Namibe, Lubango — seja o seu coração, o jogo pertence a todo o país. De Cabinda ao Cunene, a juventude urbana improvisa tabelas e sonha alto.

Para mim, esta vitória brilha ainda mais de perto. O meu filho, nascido na América e louco por basquetebol, cresceu a idolatrar Bruno Fernando. Seguiu-o de Maryland à NBA e agora ao Real Madrid — vendo nele não apenas um jogador, mas a prova de que os angolanos podem saltar de Luanda para o mundo. Quando Bruno se eleva para afundar, o meu filho vê possibilidade; quando Angola vence, sente-se em casa.

Por detrás dos heróis de hoje ergue-se um panteão. Imaginemos o cinco ideal de sempre: Miguel Lutonda a conduzir; Carlos Almeida — ou Barroca, se preferirem — na asa; Soudade Dunda a extremo; Jean-Jacques Conçeiçao a poste; Bruno Fernando no centro. Acrescente-se Carlos Morais, ainda ameaça de pontos, com quatro ouros africanos. Estes veteranos carregam memória e ambição. Vestem a bandeira com orgulho; provam que o basquetebol angolano é tão global quanto local.

Contra a Tunísia, campeã em título, ou qualquer rival, Angola joga segundo o mesmo credo: preparar, lutar, vencer. A vitória suave, tal como a prosa suave, parece fácil apenas porque há um imenso trabalho por trás. Os adeptos sabem-no. Os jogadores sabem-no. E algures, cada angolano — perito ou novato, alto ou não — sente-se com três metros de altura.



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