Hariana e o “Beating About the Bush”- Carlos Alberto



Na “Nota de Esclarecimento” de Hariana Verás, amplamente partilhada ontem nas redes sociais — até por jornalistas que ignoraram a notícia original do Club-K, fazendo lembrar exercícios da TPA, desmentindo matérias que ela própria não abordou, ou seja: desmente o que não mentiu —, cerca de 90% do texto foi dedicado a “repudiar com veemência” e a exigir "imparcialidade aos portais", quando deveria responder, ponto a ponto, às acusações. Em inglês, chama-se a isto "beating about the bush": enrolar, rodear e fugir às perguntas difíceis.


A jornalista reafirma ética e profissionalismo, mas evita os temas centrais: perguntas tendenciosas a líderes internacionais, viagens pagas pelo Governo de Angola, uso da cobertura como propaganda e os custos exorbitantes pela TPA.


As dúvidas que persistem são claras:


1. Por que motivo formula questões que induzem elogios forçados a João Lourenço e até sugerem prémios a Donald Trump?


2. Confirma ter viajado em avião do Executivo angolano para a RDC?


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3. Houve intenção de favorecer a narrativa oficial nos media estatais?


4. Recebe mesmo mais de 18 mil dólares mensais, quando outros correspondentes ficam por 500 euros?


5. Nunca foi alvo de suspensão ou expulsão de um evento, por conta da sua actuação, violando regras jornalísticas? 


Convém lembrar: nos EUA, a Casa Branca pode suspender temporariamente credenciais, como sucedeu com Jim Acosta (CNN), em 2018, mas isso não significa perda definitiva de acesso. Hariana não esclarece se foi suspensa ou apenas afastada num evento — preferiu o "beating about the bush". Ou seja: pode aparecer mais tarde a fazer reportagens na Casa Branca, mesmo tendo havido qualquer situação de impedimento temporário do exercício jornalístico. Se for o caso, que fique de alerta porque nada vem do nada. 


Já a TPA precisa de explicar as acusações sobre disparidade salarial. Curiosamente, foi célere a desmentir que um jornalista detido recentemente pelo SIC fosse seu funcionário, mas cala-se diante dos alegados 18 mil dólares mensais gastos com Hariana. Silêncio que mina a transparência e pode revoltar os próprios trabalhadores.


Mais caricato ainda: Hariana pede punição disciplinar contra portais e jornalistas, invocando o Código Deontológico, quando nem sequer é reconhecida como jornalista em Angola pela entidade competente (Comissão da Carteira e Ética). Pior: dedica-se à propaganda política até dentro de Angola, como mostra um vídeo recente em que promove a Sociedade Mineira de Catoca na Expo-Catoca 30 anos. Dito de outra maneira: a mesma pessoa que viola tudo no exercício "jornalístico", a céu aberto, vem agora "exigir" que se "discipline" os outros jornalistas, quando nem carteira profissional de jornalista tem em Angola! O nosso país é mesmo normal? É como exigir que um aluno que não estudou dê aulas de matemática aos seus colegas! E a CCE também não reage quando prometeu novidades "brevemente", antes do Afrobasket. 


O essencial é simples: Hariana não enfrentou as acusações. Preferiu cuidar da imagem e repetir princípios vagos sem especificar nada. No fim, praticou o clássico "beating about the bush": muitas palavras, nada de factos, muita partilha de um texto que não esclarece nada de concreto, nem mesmo o seu vínculo com a TPA. 


Vale lembrar que o público e a profissão merecem mais do que declarações de integridade — merecem respostas claras, objectivas e transparentes.


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