A RECONCILIAÇÃO QUE O POVO ESPERA- HITLER SAMUSSUKU



Em Angola, reconciliação tornou-se uma palavra gasta, repetida em discursos oficiais, mas rara no quotidiano da população. Vinte e três anos depois da assinatura do Memorando de Paz de 2002, o país ainda não cicatrizou suas feridas mais profundas. Pelo contrário, elas parecem mais abertas, expostas à vista de todos: a fome que mata em silêncio, o desemprego que condena jovens à delinquência ou à prostituição, a emigração forçada que expulsa sonhos para terras distantes.


É nesse cenário de dor e desencanto que a CEAST convocou o Congresso Nacional da Reconciliação. Louvável a iniciativa. Afinal, a Igreja Católica, historicamente, não pode ser apenas templo de adoração e espaço de pregação; tem, sim, uma missão social, uma obrigação moral de consolar pobres, oprimidos e vítimas da má governação. Mas o desafio é maior do que uma conferência.


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Nos últimos anos, as igrejas em Angola foram capturadas pela lógica do poder. Tornaram-se caixas de ressonância de discursos oficiais, verdadeiros comitês de especialidade em prol do partido no poder. Políticos desfilam pelos altares, recebendo bajulações e elogios de padres e pastores que trocam a coragem profética pela conveniência de ofertas monetárias. Enquanto isso, o povo, a verdadeira assembleia de Deus, agoniza sem pão e sem futuro.


A reconciliação nacional não pode ser reduzida a um evento litúrgico. Não haverá reconciliação enquanto persistirem presos políticos em todas as províncias, enquanto o MPLA continuar a governar sob o signo da centralização autoritária, sem autarquias locais, sem eleições justas, com instituições partidarizadas e comunicação social transformada em megafone da propaganda. Não há reconciliação quando o Estado se confunde com partido, quando as forças de defesa e segurança servem a manutenção de um poder e não a protecção do cidadão.


Se a Igreja, pela via da CEAST, ousar romper com a idolatria ao poder e se colocar, de facto, ao lado do povo, poderá reacender a chama da esperança. A reconciliação verdadeira exige coragem: denunciar injustiças, interceder pelos pobres, resistir à tentação da cumplicidade. O país precisa de um pacto, de uma transição pacífica e responsável. A Igreja tem autoridade moral para liderar esse caminho — mas só se deixar de ser capela do poder e voltar a ser refúgio dos oprimidos.


Porque, em Angola, a reconciliação ainda não começou.


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