Angola atrai investimento de 750 milhões de dólares dos Emirados Árabes Unidos para revitalizar indústria de celulose

 


O setor agroindustrial angolano está prestes a receber um impulso histórico com a entrada de um investimento de 750 milhões de dólares norte-americanos destinado à construção de uma unidade industrial de celulose nas províncias do Huambo e Benguela. O projeto, impulsionado por capitais dos Emiratos Árabes Unidos (EAU), visa reativar uma região que já foi berço da antiga Companhia de Celulose e Papel de Angola (CCPA).

O acordo foi selado no final de dezembro de 2025, por meio de um contrato de intenção de investimentoassinado entre a Agência de Investimento Privado e Promoção das Exportações de Angola (Aipex) e a empresa Everwood – Investimentos e Comércio, ligada ao grupo Full Bliss Angola, liderado pelo empresário Qiang Fu.

Projeto sustentável com impacto socioeconómico

Segundo o documento, o empreendimento prevê a implantação de um “sistema florestal e industrial completo, sustentável e competitivo internacionalmente”. A iniciativa será implementada de forma faseada e modular, incluindo o estabelecimento de plantações de eucalipto geridas com critérios ambientais rigorosos e a construção de uma fábrica moderna de celulose.

Além de garantir o abastecimento contínuo de matéria-prima, o projeto promete impulsionar a industrialização local, criar empregos e contribuir para o desenvolvimento socioeconómico sustentável das regiões envolvidas. Estima-se a geração de 1.014 postos de trabalho, dos quais 810 serão ocupados por angolanos e 204 por expatriados.

Retomada de ambições antigas

A aposta na celulose não é nova em Angola. Em 2014, a então ministra da Indústria, Bernarda Martins, anunciou planos para reabilitar o complexo da CCPA, situado na Ganda, Benguela. Cinco anos depois, em 2019, o secretário de Estado da Agricultura para Recursos Florestais, André de Jesus Moda, revelou a intenção de construir uma nova fábrica de celulose na mesma província, com apoio do Fundo Soberano de Angola.

Agora, com o aval de um parceiro internacional estratégico, o país dá passos concretos para transformar essas ambições em realidade.

EAU consolidam posição como parceiro-chave de Angola

Este investimento reforça a crescente presença dos Emiratos Árabes Unidosno panorama económico angolano. Em 2025, os dois países assinaram um pacote de 44 acordos bilaterais, totalizando 6,5 mil milhões de dólaresem compromissos em diversos setores.

Durante a visita de Estado do presidente dos EAU, Sheikh Mohamed Bin Zayed Al Nahyan, o chefe de Estado angolano, João Lourenço, destacou o papel dos Emiratos como “parceiro para o desenvolvimento”, sublinhando que, desde 2019, o país árabe já canalizou mais de 100 mil milhões de dólares para projetos em África.

“O vosso país emergiu como um dos investidores estrangeiros mais importantes em África”, afirmou Lourenço, ressaltando a “presença apreciável” de empresas dos EAU em território angolano.

Compromisso com governança e sustentabilidade

O contrato assinado pela Aipex e pela Everwood reforça o compromisso com a legalidade, prudência e sustentabilidade ambiental. Os investidores manifestaram ainda a intenção de manter “cooperação estreita e de longo prazo com o Governo de Angola e as instituições relevantes”, visando a execução contínua do projeto dentro dos mais altos padrões internacionais.


Publicidade 


Fonte: Jornal Económico


Lil Pasta News, nós não informamos, nós somos a informação 

Postar um comentário

0 Comentários