Em 1989, durante os Acordos de Gbadolite, o MPLA, liderado por José Eduardo dos Santos, juntamente com 17 presidentes africanos reunidos sob iniciativa de Mobutu Sese Seko, procurou persuadir Jonas Savimbi a abandonar a luta armada. Foi-lhe proposto que escolhesse qualquer país para residir, com todas as despesas custeadas, e que os membros da UNITA fossem integrados no aparelho administrativo do Estado.
Savimbi, porém, recusou. Declarou que não lutava por benefícios económicos ou materiais, mas por aquilo que considerava ser uma Angola livre da ditadura e da corrupção endémica. Assim, deu continuidade à luta política e militar.
Em 1992, após as primeiras eleições gerais multipartidárias, Jonas Savimbi obteve resultados que permitiam uma segunda volta, conforme o sistema eleitoral maioritário — que estabelece que, não havendo um candidato com 50% + 1 dos votos, os dois mais votados disputam uma segunda ronda. Savimbi mostrou-se disponível para essa segunda volta, conforme noticiado na época.
Entretanto, instalou-se um clima de tensão extrema. Dirigentes da UNITA que se encontravam em Luanda para negociar os resultados eleitorais foram alvo de perseguições e assassinatos. Entre as vítimas estavam o Vice-Presidente da UNITA, o Secretário-Geral e outros dirigentes que participavam nas negociações. Nos meses de outubro, novembro e dezembro de 1992, milhares de cidadãos angolanos, muitos deles de origem ovimbundu, foram igualmente mortos, independentemente de filiação partidária.
Em janeiro de 1993, registaram-se também assassinatos de cidadãos da etnia bakongo, sob alegações de que seriam zairenses que apoiavam Savimbi, num contexto de forte tensão política e étnica.
Perante esses acontecimentos, a UNITA entrou numa nova fase da sua história. Savimbi terá compreendido que a sua própria figura se tornara um elemento central do conflito e que o seu destino pessoal poderia estar ligado à sobrevivência do partido.
Nos finais da década de 1990, houve tentativas de mediação do conflito através de entidades religiosas e internacionais. Contudo, a guerra prolongou-se até 22 de fevereiro de 2002, quando Jonas Savimbi morreu em combate, nas margens do rio Lungué-Bungo.
Antes disso, teria deixado uma mensagem política aos seus militantes: a necessidade de garantir que a UNITA sobrevivesse para além da sua liderança e que o partido se reorganizasse estrategicamente para novas etapas da luta.
Após a sua morte, a UNITA entrou num processo de reorganização interna. A liderança de Isaías Samakuva teve como objetivo estruturar o partido no contexto do pós-guerra e da legalidade constitucional. Mais tarde, sob a liderança de Adalberto Costa Júnior, o partido assumiu uma estratégia renovada de disputa democrática do poder, defendendo a alternância política como objetivo central.
Hoje, para muitos militantes e simpatizantes, o desafio consiste em consolidar essa estratégia, fortalecer a coesão interna e ampliar o apoio popular, acreditando que a alternância em Angola depende de organização, mobilização e solidariedade política.
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