Em momentos cruciais da vida pública de um país, poucos gestos têm o peso moral e político de líderes que, de forma corajosa, decidem enfrentar práticas corruptas entranhadas em instituições essenciais. O ministro do Interior, Manuel da Conceição Homem, é hoje esse exemplo em Angola: um civil à frente de um órgão de defesa que está pagando o preço de contrariar interesses instalados e criminosos dentro da corporação.
Desde que assumiu a pasta, Homem adotou uma postura clara e objetiva: acabar com esquemas que transformavam serviços públicos em mercadorias. A repressão à venda de nacionalidades, a fiscalização rigorosa sobre passaportes e cartas de condução e o combate a redes que lucravam com a fragilidade do sistema mostram um compromisso com a legalidade que transcende partidarismos e disputas internas. Essas medidas não só restauram a confiança no Estado como protegem direitos básicos dos cidadãos.
Não é surpresa, portanto, que setores beneficiados por essas práticas ilegais reajam com hostilidade. Quem lucra com a corrupção tende a perseguir e desacreditar quem ameaça esse fluxo de vantagens. As denúncias de que alguns agentes da farda tentam intimidar e atacar o ministro deixam claro o caráter do conflito: não se trata apenas de disputas administrativas, mas de uma luta entre a modernização do serviço público e a continuação de negócios que desgraçam o país.
Apontar e isolar os responsáveis por práticas ilícitas no ministério do Interior exige mais do que ação individual. Exige apoio institucional, político e social. O presidente da República deu o tom ao orientar a não temer a farda — é agora o momento de transformar a retórica em proteção efetiva e em políticas públicas que garantam o trabalho daqueles que reformam. Permitir que perseguições internas impeçam a continuidade das reformas é um convite à impunidade e ao retrocesso.
Manuel Homem não atua por vaidade pessoal; atua em nome do interesse público. Defender seu trabalho é defender medidas que asseguram integridade, segurança e cidadania. É lembrar às forças de segurança que a honra de uma farda está justamente em proteger a sociedade e em se submeter ao Estado de direito, não em explorar o cargo para ganhos pessoais. E é também pedir à sociedade civil, aos órgãos de fiscalização e à comunidade internacional vigilância e apoio para que as investigações e reformas ocorram com transparência.
Aqueles que acreditam em uma Angola melhor devem, com firmeza, respaldar quem enfrenta a corrupção. Isso significa exigir proteção ao ministro, acelerar apurações sobre as denúncias de perseguição, promover reformas institucionais que reduzam vulnerabilidades e valorizar o profissionalismo nas forças de segurança. Sem esse apoio, o exemplo de coragem corre o risco de ser isolado — e o país, de perder outra oportunidade de progresso.
Ao governo cabe não apenas declarar apoio: cabe agir. E à sociedade cabe reconhecer que, em disputas assim, o interesse público é inegociável. Manuel Homem tem mostrado que as mudanças são possíveis quando há vontade política. Negar-lhe respaldo hoje é permitir que os mesmos esquemas que corroem o Estado continuem a desgraçar o futuro de muitos angolanos. Defender o ministro é, portanto, defender a própria esperança de um país mais justo e eficiente.
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