Mau estado das estradas aumenta acidentes no país



As más condições de conservação das estradas em várias regiões do país — sobretudo nas vias interprovinciais e fronteiriças — têm contribuído de forma decisiva para o aumento do número e da gravidade dos acidentes rodoviários. Buracos profundos, ausência de sinalização e iluminação insuficiente obrigam os condutores a manobras bruscas e constantes desvios que elevam o risco de colisões, despistes e capotamentos.


A degradação da malha viária é apontada hoje por especialistas como uma das principais causas por detrás das ocorrências mais dramáticas, principalmente quando estão envolvidos veículos pesados, como autocarros e camiões. Um pesado que perde o controlo em troços esburacados transforma-se, muitas vezes, num veículo arma: as vítimas e os danos materiais tendem a ser muito maiores e as estradas, por si só, ficam incapazes de amortecer as consequências desses sinistros.


Relatos de condutores e imagens de trechos interditados — onde o asfalto se assemelha a crateras — mostram uma realidade diária: famílias que viajam entre províncias expostas a riscos previsíveis e evitáveis. À noite, a falta de iluminação agrava a situação; em troços fronteiriços, a sinalização deficiente compromete também a circulação de transporte de mercadorias, com impactos económicos além da perda de vidas.


Apesar das campanhas de sensibilização e do reforço da fiscalização pela Polícia Nacional de Angola, para analistas e engenheiros rodoviários a aposta na educação dos condutores é insuficiente se não vier acompanhada de intervenções estruturais. A reabilitação urgente das infraestruturas rodoviárias, dizem, é condição sine qua non para reduzir acidentes e mortes nas estradas.


A situação é ainda mais grave quando se observa o estado de abandono de equipamentos públicos destinados à manutenção viária. Na província de Benguela, por exemplo, máquinas do INEA estão paradas e degradam-se por falta de utilização e manutenção. Para muitos cidadãos, isso é sintoma de má gestão: dinheiro público investido em equipamento que, em vez de melhorar as condições das vias, apodrece, aumentando o fosso entre o que é prometido e o que é concretamente feito.



Perante este cenário, a urgência é dupla: reabilitar estradas e pôr a funcionar os meios já adquiridos. Sem melhorias nas condições das vias e sem maior responsabilidade das autoridades quanto ao uso eficiente dos recursos públicos, as estradas angolanas continuarão a ser palco de tragédias que ceifam vidas todos os anos. As famílias, as comunidades e a economia do país exigem respostas rápidas, transparência e obras que realmente garantam segurança para quem circula.


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