Se o petróleo sobe por causa do caos no Médio Oriente, Angola respira… mas não relaxa- Ademar Rangel



Quando o barril dispara, entram mais dólares.

Quando entram mais dólares, o Estado ganha fôlego.

Quando o Estado ganha fôlego, o kwanza agradece.


Mas calma aí.


O mesmo petróleo que nos dá receita, também encarece combustível, transporte e alimentos.

O mesmo conflito que hoje empurra o preço para cima, amanhã pode travar a economia global e puxar tudo para baixo.


Angola vive este paradoxo há décadas:

Somos beneficiados pela crise… mas reféns da mesma.


Se o preço se mantiver alto por algum tempo:

– Mais margem orçamental

– Mais capacidade de pagar dívida

– Menos pressão cambial


Se for apenas um pico momentâneo:

– Euforia hoje

– Ressaca amanhã


A pergunta nunca é apenas “quanto está o barril?”.

A pergunta certa é: o que estamos a fazer com ele?


Porque países ricos em petróleo não ficam ricos pelo petróleo.

Ficam ricos pelo que constroem enquanto ele ainda vale alguma coisa.


E o mundo está a mudar mais rápido do que muitos imaginam.


Angola tem uma oportunidade.

Mas oportunidade sem estratégia é só sorte temporária.


E sorte, como o petróleo, também é volátil.


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