Almerindo Jaka Jamba nasceu no dia 21 de março de 1949, na Missão Evangélica do Dondi, localizada em Katchiungo, província do Huambo. Era filho de Tavares Hungulo Jamba e Ruth Beatriz Jamba. Cresceu num ambiente profundamente marcado pela educação missionária protestante e pela fé cristã, ligado desde cedo à Igreja Evangélica Congregacional de Angola (IECA). A igreja e a missão tiveram um papel determinante na sua formação espiritual, moral e intelectual.
Os seus primeiros estudos foram realizados na Escola Primária de Cachilengue, no município do Katchiungo, e posteriormente num colégio privado do Chinguar. Prosseguiu os estudos secundários no Colégio Teresiano de Nossa Senhora de Fátima, na então Bela Vista (actual Katchiungo), continuando depois no Instituto Currie da Missão Evangélica do Dondi e finalizando o ensino secundário no Liceu Nacional Norton de Matos, no Huambo.
Demonstrando grande capacidade intelectual, seguiu para Portugal para continuar a sua formação académica. Na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, licenciou-se em Filosofia e obteve agregação em Ciências Pedagógicas. No entanto, devido ao ambiente repressivo do regime colonial português, decidiu abandonar Portugal e refugiar-se na Suíça, onde continuou os seus estudos na Universidade de Genebra, realizando uma pós-graduação em Filosofia e um certificado em Língua e Civilização Francesas.
Posteriormente ampliou a sua formação internacional, obtendo um diploma avançado sobre Resolução de Conflitos na Universidade de Uppsala, na Suécia, e realizando estudos diplomáticos superiores no Instituto de Altos Estudos Internacionais de Paris, em França. Essa sólida formação académica fez dele um intelectual respeitado e um pensador atento às questões políticas e culturais de África.
Antes de se dedicar plenamente à política angolana, exerceu também a profissão de professor, tendo leccionado na Escola Técnica do Seixal e no Liceu Nacional de Oeiras, em Portugal. Em 1972, decidiu abandonar definitivamente o país e juntar-se à luta pela independência de Angola, filiando-se na UNITA, onde passou a militar na secção da juventude do movimento na Suíça.
Em 1975, integrou a delegação da UNITA que participou nas negociações dos Acordos de Alvor, no Algarve, entre os movimentos nacionalistas angolanos e o governo português, que preparavam o caminho para a independência de Angola. Nesse mesmo ano foi nomeado Secretário de Estado da Informação no Governo de Transição de Angola.
Com o início da guerra civil em 1976, retirou-se das cidades e juntou-se às forças militares da resistência da UNITA, integrando as FALA (Forças Armadas de Libertação de Angola). Durante o conflito atingiu a patente de Brigadeiro.
Após o período de guerra, continuou a desempenhar um papel relevante na vida política do país. Foi vice-presidente da Assembleia Nacional entre 1997 e 2005, e posteriormente exerceu funções diplomáticas como embaixador de Angola junto da UNESCO em Paris, entre 2005 e 2008. Dentro da UNITA ocupou vários cargos importantes, incluindo secretário para a Educação, Informação, Negócios Estrangeiros, Cultura e Herança Africana.
Além da política, Jaka Jamba destacou-se como intelectual, filósofo e pensador africano. Produziu diversos estudos e comunicações sobre filosofia, identidade cultural e valorização das línguas africanas. Falava e escrevia seis línguas: português, francês, inglês, umbundu, tchokwe e nhemba.
Era conhecido como um homem de cultura, humanista, africanista e patriota, profundamente comprometido com a valorização da herança cultural africana. Ao longo da sua vida manteve sempre uma ligação firme com a Igreja Evangélica Congregacional de Angola, da qual foi membro dedicado desde a infância. A fé cristã, a educação missionária e o amor pela sua igreja moldaram a sua visão de serviço ao país e ao povo angolano.
Nos últimos anos da sua vida, continuou activo como professor da Universidade Agostinho Neto e como deputado da Assembleia Nacional, integrando a comissão parlamentar responsável pelos assuntos da Saúde, Educação, Ensino Superior, Ciência e Tecnologia.
Almerindo Jaka Jamba faleceu em Luanda, em 2018, aos 69 anos de idade, vítima de doença. Deixou viúva Miraldina Olga Jamba, cinco filhos e oito netos.
A sua vida permanece como testemunho de um intelectual cristão, patriota e homem de diálogo, que uniu fé, pensamento e compromisso com o destino de Angola.
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