DENÚNCIA APONTA ESQUEMA DE ALTERAÇÃO FRAUDULENTA DE ESTATUTOS RELIGIOSOS COM POSSÍVEL CONIVÊNCIA INTERNA NO INAR

 


Nas últimas semanas, documentos e testemunhos chegados à nossa redacção denunciam um alegado esquema de manipulação de estatutos de igrejas em Angola, com possível envolvimento interno no Instituto Nacional para os Assuntos Religiosos (INAR). As informações apontam para práticas fraudulentas, incluindo a alteração de identidades religiosas e de liderança, emtroca de vantagens ilícitas.

Um dos casos mais evidentes envolve a Congregação Evangélica da Fé em Jesus Cristo em Angola (CEFJCA), fundada em 24 de Maio de 1988 pelo Reverendo PassifuMiguel e reconhecida oficialmente em 1992, conforme Diário da República Iª Série nº 46/92 de 14 de Outubro. Segundo o dossiê analisado, após a morte do fundador, em 1997, a igreja terá passado por um período de fragilidade administrativa, durante o qual documentos originais foramapropriados e alterados.

Entre as mudanças apontadas estão a substituição do fundador por William Branham, a modificação da doutrina, alterações na liderança, a introdução de estruturas diferentes e a alterando à identidade original, configurando-se no extravio da essência da Igreja Congregação Evangélica da Fé em Angola 

Fontes ligadas ao processo falam em “indícios claros de manipulação documental”, com o objectivo de reconfigurar a identidade da igreja e associá-la a outra confissão religiosa já reconhecida no país. As denúncias apontam ainda a existência de um esquema recorrente, com alegado envolvimento de funcionários do INAR, sendo citado Adriano Bernardo Adão António, que exerce funções como Chefe de Departamento de Acompanhamento as Confissões Religiosas (DACR).

No âmbito da investigação, a nossa equipa tentou contactar o líder da Igreja Mensagem do Último Tempo (IMUT), mas não tivemos sucesso. Fontes ligadas à instituição indicam, contudo, que a igreja se considera alvo de perseguição por reivindicar os seus direitos e que o seu líder terá recorrido à via judicial para tratar o caso.

Por outro lado, contactos com pastores da Congregação Evangélica da Fé revelam uma invasão de alguns pastores identificados como branamistas. Os primeiros acusam os segundos de impor uma nova doutrina, alegadamente com respaldo institucional. Há relatos de intimidação, com líderes e fiéis a afirmarem temer represálias, incluindo o encerramento da igreja ou afastamento de pastores.

Face à gravidade das denúncias, é defendida a necessidade de uma investigação aprofundada, que permita apurar responsabilidades, travar eventuais irregularidades e restaurar a legalidade no sector religioso.

O caso levanta ainda várias questões sobre quem beneficia destas práticas e sobre a eficácia dos mecanismos de controlo existentes, temas que poderão ser aprofundados em próximas reportagens.

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