A Federação Angolana de Futebol (FAF) e a Associação Nacional de Clubes Angolanos de Futebol estão a ser acusadas de admitir a inscrição de jogadores estrangeiros sem o devido visto de trabalho, numa prática que poderá configurar violação das normas administrativas e migratórias em vigor no país.
A denúncia foi levantada durante o programa Quintalão dos Desportistas, exibido no sábado, 28 de março, onde se questionou a legalidade da atuação das entidades que regem o futebol nacional.
De acordo com uma carta a que a redação teve acesso, a ANCAF terá solicitado à FAF a prorrogação de um ato administrativo considerado irregular, permitindo que atletas estrangeiros continuem inscritos sem o cumprimento das exigências legais estabelecidas pelo Serviço de Migração e Estrangeiros (SME), nomeadamente a obrigatoriedade de visto de trabalho.
Uma fonte ligada ao SME indicou que a FAF poderá estar sujeita a sanções por alegada violação das normas de soberania do Estado, ao permitir a utilização de jogadores estrangeiros em situação migratória irregular.
Casos recentes reforçam as suspeitas. A rescisão contratual do treinador francês Patrice Boumelly terá ocorrido devido à ausência de visto de trabalho. Situação semelhante foi registada no Wiliete Sport Clube de Benguela, que rescindiu com o treinador francês Bruno Ferri e com vários jogadores brasileiros pelo mesmo motivo.
Atualmente, apenas o jogador maliano Bocar Sidibé permanece em atividade no clube, estando devidamente regularizado. Já o atleta congolês Félix Bulaya, do Clube Desportivo Primeiro de Agosto, é igualmente apontado como estando em situação irregular.
Outro caso envolve a Académica Petróleos do Lobito, que anunciou o afastamento do treinador português Sérgio Traguil por falta de visto de trabalho, tendo sido substituído pelo técnico angolano Silvestre Pelé.
As situações descritas levantam preocupações sobre o cumprimento das normas legais no futebol angolano, num contexto em que o controlo migratório e o respeito pelas regras administrativas são considerados fundamentais para a integridade institucional e desportiva do país.
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