A directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, deixou um alerta severo: o mundo tem de se preparar para "tempos difíceis".
O conflito no Médio Oriente está a abalar a economia global com uma força que o FMI classifica de choque "amplo, global e assimétrico", com consequências que já se fazem sentir em todos os sectores.
"O impacto da guerra na economia mundial já é considerável, mesmo que o conflito venha a ser de curta duração", sublinhou Georgieva, alertando ainda para "a ruptura física nas cadeias de abastecimento que já se observa, especialmente na Ásia, uma região altamente dependente das importações provenientes do Golfo.
O conflito provocou uma redução de 13% no fluxo diário de petróleo e de até 20% no fluxo de gás natural liquefeito (GNL), perturbações que afectam desproporcionalmente os países próximos das zonas de conflito e os dependentes de importações de energia. O Mesmo num cenário moderado, o crescimento mundial deverá abrandar para 3,1% este ano e a inflação global poderá subir para 4,4%.
No pior cenário, com perturbações energéticas prolongadas, a economia mundial pode crescer apenas 2%, com inflação acima de 6%.
A região do Médio Oriente, Norte de África e Ásia Central é a mais afectada pelos efeitos da guerra. Os países emergentes e em desenvolvimento são os que sofrerão maior pressão inflacionista, enquanto as economias avançadas deverão regressar mais rapidamente a índices de inflação próximos dos 2% em 2027.
O FMI admite que o impacto do conflito poderá gerar entre 20 e 50 mil milhões de dólares em novos pedidos de ajuda financeira por parte dos países mais vulneráveis.
Para Angola, o cenário apresenta contornos diferentes. O país está entre as economias mais beneficiadas em África devido à subida dos preços do petróleo e à melhoria das condições financeiras da dívida.
O OGE 2026 foi elaborado com base num preço médio de 61 dólares por barril, mas com o Brent a negociar bem acima desse valor de referência, o país poderá arrecadar receitas adicionais relevantes, reforçando a sua capacidade orçamental.
Contudo, os benefícios não são isentos de riscos. Enquanto grande importador de bens alimentares e combustíveis refinados, Angola poderá ver aumentar o custo das importações, com reflexos nos preços dos transportes, da energia e, em cadeia, dos bens alimentares e não alimentares.
O FMI reviu em alta a previsão de crescimento de Angola para 2,3% em 2026, num contexto em que o crescimento na África subsaariana deverá manter-se relativamente estável, situando-se nos 4,3%03
Georgieva foi peremptória quanto ao pior cenário possível:
"levará algumas economias à recessão, com inflação global acima de 6% e expectativas de inflação difíceis de conter."
Para já, o mundo aguarda com apreensão o desenrolar de um conflito cujas consequências prometem ser duradouras.
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