O congresso do MPLA, agendado para 9 e 10 de dezembro, promete ser um dos mais disputados da história recente do partido. Com a morte de Fernando Piedade Dias dos Santos — conhecido como Nandó e considerado o candidato natural ao consenso — abriu-se um vazio que multiplicou as aspirações internas e tornou a sucessão de João Lourenço num processo genuinamente aberto.
O actual Presidente da República e líder do MPLA não deverá apoiar publicamente nenhum dos candidatos.
A estratégia tem por modelo — e por contra-exemplo — o caso do Presidente moçambicano Filipe Nyusi, que ao manifestar apoio aberto a uma candidatura no congresso da Frelimo acabou ultrapassado por uma escolha surpresa.
Lourenço pretende evitar esse desgaste e preservar a sua autoridade dentro do partido, que continuará a liderar após dezembro.
Em privado, os nomes que o Chefe de Estado terá considerado não reúnem condições de avançar.
A esposa Ana Dias Lourenço esbarra em constrangimentos de natureza familiar e constitucional, enquanto o general Fernando Miala, director do SINSE, carrega um historial judicial que torna a sua candidatura inviável no plano político e jurídico.
O campo divide-se entre candidatos mais jovens — com Manuel Homem, Ministro do Interior, a ser o nome mais referido, seguido do governador do Huambo Pereira Alfredo e do Presidente da Assembleia Nacional Adão Almeida — e figuras com maior capital político acumulado, como o ex-Vice-Presidente Bornito de Sousa e o constitucionalista Carlos Feijó, ambos com trânsito consolidado nas estruturas do partido.
O que une todos os cenários é a sombra discreta de João Lourenço: mesmo assumindo uma posição de neutralidade declarada, a sua influência sobre os delegados e as estruturas do partido deverá ser determinante para moldar o resultado final — garantindo que, qualquer que seja o escolhido, a transição preserve a coesão interna e a continuidade do projecto político que moldou Angola na última década.
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