Um cidadão russo acusado de espionagem e terrorismo em Angola confirmou esta quarta-feira, 15, perante o tribunal, ter mantido encontros privados com destacadas figuras políticas do MPLA e da UNITA, onde foram discutidos temas de política interna, negócios e as eleições de 2027. Porém, Lev Matvevoch, de 64 anos, negou qualquer ligação ao grupo paramilitar Wagner e rejeitou as acusações de financiamento ao terrorismo.
O depoimento foi prestado no âmbito do chamado “caso russos”, que entrou esta quarta-feira na fase de produção de provas. O arguido, que se encontra detido, disse ao tribunal que o seu papel se limitava ao de intérprete do compatriota Igor Rochin Mihailovich, o outro cidadão russo no banco dos réus, sendo este quem organizava os encontros e definia os assuntos a tratar.
Lev Matvevoch confirmou reuniões com o vice-presidente da República, Higino Carneiro, na sua residência; com o ex-secretário-geral do MPLA, Dino Matrosse, em restaurantes; com o general Paulo Lukamba Gato, num apartamento arrendado na Centralidade do Kilamba; com o político António Venâncio, na sua residência e em restaurantes; e com o governador provincial de Malanje, Marcos Nhunga, nas instalações do Governo Provincial.
O arguido negou, contudo, ter tido qualquer encontro com o líder da UNITA, Adalberto da Costa Júnior.
Segundo o arguido, apenas recebia os contactos das pessoas a abordar e só ficava a saber o tema das reuniões já no local. Negou que os encontros tivessem servido para financiar partidos ou conspirar contra o Governo, afirmando que os assuntos tratados foram de natureza política, geopolítica e de negócios.
38 anos em Angola, professor das FAA
Lev Matvevoch sublinhou que reside e trabalha em Angola há 38 anos e que durante muito tempo foi professor na Escola Superior de Guerra das Forças Armadas Angolanas (FAA), no Grafanil, em Luanda. Descreveu-se como um académico de prestígio e afirmou nunca ter tido tempo para se envolver em organizações terroristas. Quanto à razão de terem contactado figuras políticas sem recorrer a canais oficiais, o arguido remeteu a resposta para Igor Rochin Mihailovich, dizendo desconhecer essa motivação.
Quatro arguidos, crimes graves
No processo respondem ainda dois angolanos: Amor Carlos Tomé, jornalista da Televisão Pública de Angola (TPA), e Oliveira Francisco “Buka”, secretário de mobilização da JURA, braço juvenil da UNITA.
Os quatro arguidos enfrentam acusações de espionagem, terrorismo, organização terrorista, financiamento ao terrorismo, instigação pública ao crime, associação criminosa, corrupção activa de funcionário, tráfico de influência, falsificação de documentos, introdução ilícita de moeda estrangeira no país, retenção de moeda e burla.
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