A MILITÂNCIA HIPÓCRITA- Rui Kandove



Cruzei-me recentemente com um vídeo do jovem empresário Mário Durão e, embora já tivesse ouvido diversos relatos sobre a sua trajetória — incluindo questionamentos sobre a forma como terá iniciado a sua ascensão no mundo dos negócios — nada me impede de assumir uma posição neutra na avaliação sobre o seu desempenho na abordagem que fez- importa, no entanto, esclarecer que não o conheço pessoalmente, nem alguma vez mantivemos qualquer contacto. Feito esclarecimento julgados importantes começo por dizer que durante uma curta live na sua página, houve aspetos das suas intervenções que me chamaram particularmente a atenção.


Um dos pontos mais marcantes foi a crítica dirigida a determinados militantes que, em tempos anteriores, beneficiaram amplamente das estruturas de poder, usufruíram de privilégios e oportunidades, mas que hoje, afastados desses mesmos círculos de influência, surgem como defensores da descontinuidade do Presidente João Lourenço, precisamente às vésperas do IX Congresso do MPLA.


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Naturalmente, numa democracia interna, cada militante é livre de apoiar quem considerar mais adequado. Contudo, a reflexão de Mário Durão incidia sobretudo sobre aquilo que considera ser uma evidente hipocrisia política: figuras que permaneceram silenciosas enquanto beneficiavam do sistema, mas que se tornam críticas apenas depois da perda de influência, privilégios ou cargos.


O recado pareceu claramente direcionado a alguns jovens políticos oriundos da JMPLA que, no passado, foram conduzidos a posições relevantes no aparelho do Estado ou do partido. Se, por um lado, é legítimo questionar a coerência e a idoneidade de certas posturas políticas, por outro, não existe qualquer problema em que um membro apoie quem quiser e bem entender dentro das regras democráticas. A questão levantada por Mário Durão é outra: a possibilidade de que determinadas posições políticas sejam movidas menos por convicção ideológica e mais por conveniência circunstancial.


Outro ponto que me pareceu particularmente pertinente foi a abordagem sobre as dificuldades enfrentadas pelos empresários emergentes em Angola. Mário Durão referiu-se às taxas de juro na ordem dos 22%, classificando-as como insustentáveis para quem pretende investir, produzir e recuperar capital num ambiente económico já marcado por inúmeras limitações. A observação faz sentido, sobretudo porque o elevado custo do crédito continua a ser apontado por economistas e instituições financeiras como um dos maiores entraves ao crescimento do setor privado e à diversificação da economia angolana.


No geral, fiquei com uma impressão positiva do jovem empresário, sobretudo pela forma direta, crítica e aparentemente coerente com que abordou questões políticas e económicas que afetam muitos cidadãos e empreendedores no país. Mais do que uma defesa deste ou daquele grupo, as suas declarações acabam por levantar um debate importante sobre coerência política, oportunismo militante e os reais desafios da juventude empresarial angolana.

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