Entre Fake News e Agendas Ocultas: A Guerra de Narrativas Contra o Congresso do MPLA- Ademar Rangel



A política também se faz através da comunicação. E, em períodos pré-congressuais, a comunicação transforma-se muitas vezes num campo de batalha onde os factos competem com rumores, interesses e agendas ocultas.


O que se tem assistido nos últimos tempos em torno do Congresso Ordinário do MPLA não é novidade. Sempre que o partido entra em fase de debates internos, surgem imediatamente narrativas cuidadosamente construídas para vender ao público a ideia de um partido dividido, em ruptura interna ou à beira do colapso político. Multiplicam-se “fontes próximas”, “informações de bastidores”, supostas guerras internas e cenários apocalípticos que, curiosamente, desaparecem logo depois do congresso terminar.


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O objectivo é claro: fabricar uma percepção de fragilidade.


Há sectores que compreendem perfeitamente que o maior adversário político do MPLA não é necessariamente outro partido, mas sim a sua própria capacidade de manter unidade organizativa e disciplina interna. Por isso, cada congresso transforma-se numa oportunidade para alimentar especulações, exagerar diferenças naturais de opinião e vender a ideia de que qualquer debate interno significa ruptura.


Mas uma organização política com décadas de existência não sobrevive por ausência de divergências. Sobrevive exactamente porque possui mecanismos internos para as gerir.


É normal que existam diferentes sensibilidades, visões estratégicas ou até preferências em torno de candidaturas à liderança. Isso acontece em qualquer grande partido político do mundo. O problema começa quando se tenta transformar processos normais de dinâmica interna num espectáculo mediático desenhado para produzir cliques, manchetes e tensão artificial.


Os jogos de comunicação já começaram há muito tempo.


Há uma tentativa evidente de empurrar o debate político para um ambiente emocional, onde qualquer fotografia vira “sinal de ruptura”, qualquer silêncio é “prova de crise”, e qualquer opinião diferente passa imediatamente a ser apresentada como conspiração interna. Criam-se heróis e traidores ao sabor da conveniência mediática do momento.


E infelizmente, as fake news tornaram-se ferramentas centrais nesse processo.


Informações sem confirmação passam de WhatsApp para Facebook, de Facebook para blogs, e dos blogs para debates televisivos, ganhando uma aparência de legitimidade simplesmente porque foram repetidas muitas vezes. O problema é que, na maior parte dos casos, essas narrativas têm um prazo de validade extremamente curto.


Porque depois do congresso, a realidade normalmente impõe-se.


O partido reorganiza-se, redefine a liderança, aprova orientações, fecha fileiras e segue em frente. E muitos dos que passaram meses a anunciar implosões, fracturas irreversíveis ou guerras internas acabam confrontados com a mesma frustração de sempre: a de ver que o cenário de autodestruição que venderam nunca aconteceu.


Não significa que o MPLA não enfrente desafios. Enfrenta, como qualquer organização política que governa um país complexo como Angola. Mas uma coisa é debate político real. Outra é a fabricação artificial de crise como instrumento de desgaste psicológico e mediático.


Existe uma diferença entre análise política séria e activismo disfarçado de jornalismo.


O sensacionalismo vende. O caos gera cliques. A polémica cria audiência. Mas a história recente mostra que muitos dos rumores que hoje dominam timelines e grupos de WhatsApp terão amanhã exactamente o mesmo destino que tiveram os anteriores: desaparecerão no tempo com a mesma velocidade com que foram inventados.


Entretanto, o congresso acontecerá.


Haverá decisões, discursos, estratégias e reposicionamentos internos. E, como já aconteceu várias vezes ao longo da história do partido, o MPLA continuará o seu percurso político em uníssono institucional, independentemente das narrativas fabricadas à sua volta.


Porque no fim, entre a realidade política e a espuma mediática… normalmente é a espuma que desaparece primeiro.

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