Aquilo que foi apresentado ao povo angolano como uma cruzada moral contra a corrupção acabou, para muitos, por revelar-se uma selectiva caça às bruxas, utilizada como álibi para exonerar, perseguir e afastar figuras ligadas ao então Presidente José Eduardo dos Santos. O discurso da moralização do Estado rapidamente perdeu força diante da realidade nua e crua que o país testemunha diariamente.
No actual contexto, a corrupção não diminuiu; pelo contrário, tornou-se mais sofisticada, mais ousada e mais protegida. Multiplicam-se denúncias envolvendo diversos ministérios, enquanto certos “intocáveis”, ligados à entourage do poder, permanecem inabaláveis, recebendo diariamente o abraço protector do Palácio Presidencial.
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Um dos casos mais paradigmáticos é o do actual governador de Icolo e Bengo, sobre quem recaem inúmeras denúncias, sobretudo relacionadas com a venda de terrenos. Apesar disso, a protecção política de que beneficia parece torná-lo imune a qualquer responsabilização. Nem mesmo as denúncias feitas pela Igreja Católica, relativas aos atrasos nas benfeitorias por ocasião da visita do Papa, foram suficientes para abalar o protegido do sistema.
As acusações sobre a destruição do polígono florestal, a venda desenfreada de terrenos e o caos urbano tornaram-se permanentes. O lixo coabita diariamente com os cidadãos, que, desesperados, acabam por depositar resíduos sólidos nas proximidades da residência do próprio governador, numa demonstração clara do colapso dos serviços públicos. Tudo isso agravado pela substituição de uma empresa que prestava serviços eficientes por outra de conveniência.
No fim, resta apenas uma pergunta: será que o Presidente João Lourenço deixará para o próximo inquilino da Cidade Alta a tarefa de combater os corruptos do seu próprio tempo?
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