Propaganda acima da educação: um país a condenar o próprio futuro- Luís de Castro



É revoltante assistir ao estado a que o nosso país chegou. Enquanto milhões de crianças continuam fora do sistema de ensino, privadas do direito básico de aprender, sonhar e construir um futuro digno, há quem encontre coragem para gastar centenas de milhões de kwanzas na promoção da própria imagem.


Segundo notícias tornadas públicas, cerca de 400 milhões de kwanzas terão sido canalizados para fins de autopromoção, num país onde crianças estudam debaixo de árvores, outras percorrem quilómetros sem encontrar uma escola, e milhares abandonam os estudos por absoluta falta de condições.

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Que prioridade é esta? Que sensibilidade é esta diante da dor de um povo que luta diariamente contra a fome, o desemprego e a miséria?


Um governante verdadeiramente comprometido com a pátria não investe primeiro na sua imagem enquanto o futuro da nação permanece abandonado. Porque cada criança fora da escola representa uma derrota colectiva, uma ferida aberta na consciência nacional e um atentado silencioso contra o desenvolvimento de Angola.


É doloroso perceber que, para alguns, a propaganda vale mais do que os cadernos, a vaidade pesa mais do que as salas de aula, e a exaltação pessoal parece ser mais urgente do que garantir educação às nossas crianças.


Um país que abandona as suas crianças está, inevitavelmente, a condenar o seu próprio futuro. E nenhum discurso político conseguirá esconder esta triste realidade.

Luís de Castro, 

Presidente do Partido Liberal

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