Vinte quatro (24) anos de paz Angola convive ainda com muitas lógicas da colonialidade pidesca que se transformaram em egoísmo partidário, violência política, psicológica, manipulação e chantagem, transformando muitos angolanos como entes descartáveis, naturalmente em defesa da dita classe dirigente e dos seus privilégios de classe. Muitos dirigentes nas estruturas partidárias do regime deixaram-se consumir pela demagogia e pelo sadismo, banalizam o mal, continuam reféns do conservantismo monolítico que assenta no pressuposto de que para o MPLA existir é preciso esmagar a UNITA.
Discursos autoritários são proclamados em defesa do poder, o ridículo e o distópico tornou-se na estratégia do poder, o adversário deixa de ser alguém com quem se disputa o presente e o amanhã do país, torna-se um ser vigiado, intimidado e no limite neutralizado.
Todo um regime autoritário precisa de fabricar um inimigo para odiar, culpar, inventa-se ameaça, exagera-se a invenção até se tornar numa narrativa de hostilidade para justificar novos alvos a abater. É uma invenção cuidadosamente trabalhada para se continuar a reprimir.
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Não sabemos aprender com o passado vivemos a inventar no presente as soluções com o mesmo molde.
Foi assim que 1975 inventou-se que a FNLA come crianças, em 1992 inventou-se que a UNITA corta orelhas e hoje inventou-se o chavão que “vai haver cabidela”.
Muitos dirigentes do partido do regime exibem nos comícios galos com facas, depenam e transfiguram-se verdadeiros demônios de delírio, gritando “vai haver cabidela”. Existe uma natureza sombria por detrás deste chavão é de quem se sacia com a dor física e moral dos outros, de quem sente o prazer de causar sofrimento a outrem.
Esse expediente assassino vingativo é um atentado contra a integridade moral e ética dos cidadãos presentes nesses comícios, visa produzir neles ódio, intolerância, exclusão e escárnio.
Qual é o equilíbrio psíquico moral que leva um ser humano a ultrapassar seu instinto crítico que lhe permite distinguir o mal do bem? Qual é a motivação? Qual é o objetivo em criar o caos, glorificar a violência e a vingança, senão preparar o terreno psicológico para aceitação pública dos crimes! O mais irônico desse retrato é aplaudi-lo e enaltece-lo, dançam e celebram movidos pelo ódio.
Angola vive tempos anormais de erosão cultural, normaliza-se o absurdo, banaliza-se a violência, cultiva-se as desavenças, estimula-se os ódios, constrói-se as dúvidas e produz-se medos.
Quando se celebra a barbarie e a destruição das outras vidas como paradigma para a satisfação do projecto do poder politico torna-se visível que o regime entrou em crise de identidade politica e crise de credibilidade da mensagem mobilizadora.
Alguém disse um dia “quem carrega ódio no coração incomoda-se com a serenidade do outro”.
É um cenário doloroso e cruel, empurrar o cidadão no sentimento de aversão e ódio e extermínio radical de compatriotas, cujo o crime único é pensar diferente.
Quo vadis Angola nossa?
Os partidos politicos têm de produzir sabedoria social, politica, econômica, cultural e ética. Os partidos politicos têm de produzir um projecto nação, no debate contraditório, mas estruturado. O debate contraditório deve tornar-se num capital proativo no pilar da identidade democrática, deve libertar a consciência dos angolanos para produzir concertações, convergências, consensos para os grandes desafios.
Quo vadis Angola nossa?
Chipindo Bonga
Luanda, aos 20 de Agosto de 2026
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