"A Unitel não foi criada pela Isabel dos Santos, nem ela foi dona efectiva da Unitel em momento algum.
O projeto Unitel foi inicialmente desenvolvido pela Sonangol e activado por uma subsidiária, a Mercury.
Figuras influentes no poder, como o General Dino, convenceram o Presidente JES de que o projeto deveria ser privatizado e desvinculado da Sonangol. Assim, foi criada a Unitel S.A., com suporte técnico da Orange e da Vodafone. Dino meteu a Isabel na jogada.
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Para viabilizar a entrada dela no negócio, foi utilizado um veículo chamado Vidatel, que recebeu 25% das ações. Outros 25% ficaram com Geni ligada ao General Dino, enquanto a Portugal Telecom (associada da brasileira Oi) ficou com mais 25%. Os restantes 25% permaneceram com a Sonangol, através da Mercury. Portanto, a IS nunca foi a criadora nem a dona da Unitel.
Para gerir a empresa, foi contratado um experiente CEO britânico, Tony Dolton, ex-alto executivo da Vodafone. Com ele a Unitel cresceu e consolidou-se no mercado. No entanto, ao longo dos anos, IS beneficiou-se da fama de ser a "dona" da Unitel, embora isso nunca tenha sido verdade.
Com o crescimento de sua ambição, IS substituiu Tony Dolton, mas não assumiu efeCtivamente a função de gestão, dedicando-se mais a viagens e negócios paralelos. Como CEO, ela passou a agir de forma autoritária, como se fosse a proprietária da empresa, o que gerou conflitos com os outros acionistas. Paralelamente, criou empresas com o nome Unitel, como a Unitel Cabo Verde, da qual era a única acionista, mas que era financiada pela Unitel S.A., desviando recursos da empresa principal.
Durante anos, IS nas vestes de CEO não pagou dividendos aos outros accionistas, que só conseguiram tomar medidas para reverter a situação quando JES perdeu influência política."
Luís Silva Frederico
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