Quando falamos de turismo em Angola, pensamos quase sempre no turista de elevado poder de compra, hotéis de cinco estrelas, resorts e experiências premium.
Mas existe outro mercado gigantesco que não devíamos ignorar: o turismo jovem internacional.
Milhões de jovens europeus, americanos, asiáticos e de outras partes do mundo viajam todos os anos à procura de experiências. Querem aventura, música, dança, natureza, festa, cultura e, cada vez mais, lugares extraordinários para fotografar, filmar e partilhar no Instagram, TikTok, Snapchat e YouTube.
E Angola tem matéria-prima de sobra.
Temos praias quase selvagens, desertos, cascatas, montanhas, rios, florestas, cânions, aldeias tradicionais e algumas das paisagens mais impressionantes do continente africano.
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O que ainda precisamos é transformar paisagens em experiências turísticas organizadas.
Imaginem trilhos devidamente identificados na Serra da Leba, Tundavala, Pedras Negras de Pungo Andongo, Quedas de Kalandula, Iona ou ao longo do litoral.
Pequenas áreas de campismo seguras, com casas de banho, água, energia solar, pontos de carregamento, informação turística e espaços para alimentação.
Não precisamos de construir hotéis de milhões de dólares em todos os lugares.
Às vezes bastam dez tendas, casas de banho limpas, segurança, Internet e uma experiência inesquecível.
E aqui os quimbos podem entrar directamente na economia do turismo.
Uma comunidade próxima de uma rota turística pode fornecer refeições, artesanato, guias locais, música, dança, histórias, passeios e alojamento comunitário. O jovem que dorme numa tenda pode gastar pouco no alojamento, mas compra comida, paga ao guia, compra uma peça de artesanato e permanece vários dias a circular pelo território.
Multipliquem isso por milhares de visitantes.
Turismo deixa então de ser apenas construir hotéis.
Passa a ser criar pequenas economias ao longo das rotas.
E podemos ir muito mais longe.
Angola poderia criar grandes eventos capazes de colocar determinadas regiões no calendário internacional do turismo jovem.
Imaginem um Wake Up Namibe: três dias de música, praia, deserto, campismo, DJs, artistas africanos e internacionais, experiências no Namibe e milhares de jovens junto ao Atlântico.
Ou um Pungo Andongo Lights, transformando temporariamente as Pedras Negras num extraordinário palco de luz, música, arte e cultura.
Não seriam apenas festivais.
Seriam motivos para viajar para Angola.
É assim que muitos destinos se tornam conhecidos por novas gerações: alguém vai a um festival e aproveita para conhecer o país.
E existe ainda uma vantagem extraordinária.
O turista jovem de hoje também é um pequeno meio de comunicação.
Ele chega a Angola com um smartphone e durante dez dias produz dezenas de fotografias, Stories, Reels, TikToks e vídeos.
Mostra o pôr-do-sol no Namibe.
Filma a descida da Serra da Leba.
Dança numa festa em Luanda.
Acampa junto a uma paisagem extraordinária.
Visita um quimbo.
Come funge.
Filma Kalandula.
E mostra tudo aos amigos.
Se 20 mil jovens visitarem Angola e cada um publicar conteúdo visto por apenas algumas centenas ou milhares de pessoas, teremos milhões de contactos com a marca Angola sem comprar um único segundo de publicidade internacional.
É marketing turístico orgânico feito pelos próprios visitantes.
Mas para isso precisamos de organização.
Informação turística online, pagamentos funcionais, segurança, transportes, hostels, campings, trilhos sinalizados, guias certificados, calendário anual de festivais e actividades que possam ser reservadas pela Internet.
E, sobretudo, precisamos compreender que nem todo turista precisa chegar num jacto privado e dormir num hotel de cinco estrelas para ser economicamente importante.
O jovem que hoje chega de mochila pode voltar daqui a dez anos com a esposa e os filhos.
E entretanto terá contado a milhares de pessoas que existe um país chamado Angola onde o deserto encontra o Atlântico, onde existem cascatas gigantescas, montanhas extraordinárias, música, dança e uma África que muita gente ainda não conhece.
Angola não precisa conquistar todo o mercado mundial do turismo jovem.
Precisa apenas de organizar-se suficientemente bem para conquistar uma pequena fatia dele.
Porque uma pequena fatia de um mercado gigantesco…
já pode representar muito dinheiro, milhares de empregos e uma nova vida para muitas comunidades do interior.
Talvez o próximo grande investimento no turismo angolano não seja apenas mais um hotel.
Talvez seja simplesmente dar ao mundo jovem razões para vir, caminhos para descobrir Angola e lugares onde montar uma tenda.
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