Ernesto Mulato diz que a UNITA tinha condições de continuar a guerra em 2002 após a morte de Jonas Savimbi



O co-fundador da UNITA, Ernesto Mulato, afirmou recentemente, durante um debate organizado pelo MEA (Movimento dos Estudantes Angolanos), na Casa da Juventude, em Viana, que o seu partido teria capacidade de prolongar o conflito armado em 2002, mesmo depois da morte do fundador e então líder histórico da UNITA, Jonas Savimbi.


Segundo um vídeo que o Lil Pasta News teve acesso,  Ernesto Mulato, a decisão de não manter a guerra estaria ligada ao entendimento e às orientações deixadas por Savimbi. “Eles só não fizeram por o líder fundador da UNITA, Jonas Savimbi, disse: porque eles querem a mim, no dia que eu morrer façam paz”, afirmou.


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Durante a intervenção, Mulato sustentou que Savimbi “foi sempre a favor da paz” e que teria sido o próprio líder a propor iniciativas de diálogo envolvendo os “três movimentos”, bem como outros processos de negociação. O dirigente argumentou que a transição para a paz teria começado ao nível político, embora a situação militar no terreno, na sua perspetiva, não estivesse plenamente controlada.


Ernesto Mulato disse ainda que, apesar da neutralização da guerra de posição, a UNITA manteria atividades de guerrilha em “quase todo o território”, algo que, conforme o co-fundador, o MPLA “não devia conseguir neutralizar”.


Como exemplo para justificar a tese de que a guerra poderia continuar, Mulato recorreu ao caso do leste do Congo, onde, segundo ele, o governo “nunca conseguir parar as guerrilhas”. “A UNITA tinha condições de fazer o mesmo, e não fizemos porque sempre fomos a favor da paz”, concluiu.


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