CARTA PÚBLICA AO MINISTRO DE ESTADO PARA A COORDENAÇÃO ECONÓMICA, À MINISTRA DAS FINANÇAS E AO PCA DA AGT
Assunto: Inclusão ou exclusão? Formalização ou informalidade — precisamos de saber que caminho o Executivo pretende seguir
Excelência Senhor Ministro de Estado para a Coordenação Económica,
Excelência Senhora Ministra das Finanças,
Excelência Senhor Presidente do Conselho de Administração da AGT,
Escrevo esta carta publicamente não porque tenha escolhido o caminho da exposição pública, mas porque esgotámos, até ao momento, os canais institucionais através dos quais procurámos obter respostas.
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Escrevi à Administração Geral Tributária (AGT). Tivemos um encontro com a sua equipa e apresentámos uma proposta concreta.
Depois disso, não obtivemos resposta.
Escrevemos à Ministra das Finanças, órgão de supertendecia.
Não obtivemos resposta.
Escrevemos ao Ministro de Estado para a Coordenação Económica. Também não obtivemos resposta.
É por isso que esta carta se tornou pública.
Não é uma carta apenas em defesa da T4
É uma carta em defesa de uma pergunta que considero muito maior:
O Executivo quer promover a inclusão e a formalização ou, involuntariamente, está a criar condições para a exclusão e para o regresso à informalidade?
1. Formalizar também tem um custo
Fala-se muito, e correctamente, da necessidade de reconverter a economia informal.
O novo paradigma do PREI, aprovado pelo Decreto Presidencial n.º 148/25, de 30 de julho procura precisamente promover, consolidar e formalizar negócios de pequena dimensão e inclui a tecnologia e inovação entre os sectores prioritários.
Mas existe uma questão que não podemos ignorar:
Quanto custa, na prática, formalizar um pequeno negócio em Angola?
Não podemos olhar apenas para a obrigação legal de formalizar.
Temos de olhar também para a capacidade financeira do empreendedor para suportar os custos associados à formalização.
Porque uma política pública de formalização que não considere a capacidade financeira dos seus destinatários corre o risco de produzir um efeito perverso:
em vez de incluir, pode excluir.
Em vez de reconverter a economia informal, pode empurrar alguns operadores de volta para a informalidade.
2. O caso concreto do Vendus é apenas um exemplo
A T4 Classificados pagava anteriormente 48.000 Kz pelo Vendus Flex, conforme factura emitida em 12 de Maio de 2026.
Posteriormente, fomos informados pela Vendus de que, a partir de 1 de Julho de 2026, a comercialização passaria para a Nexperience e que a facturação e a próxima renovação seriam realizadas em EUR.
Procurámos então alternativas no mercado angolano.
Contactámos a BTCG e fomos informados de que a renovação do Vendus Flex trimestral, para a T4, custa actualmente 130.000 Kz.
Façamos as contas:
Preço anteriormente pago: 48.000 Kz
Preço actual de renovação: 130.000 Kz
Aumento absoluto: 82.000 Kz
Aumento percentual: 170,83%
Ou seja, aquilo que anteriormente custava 48.000 Kz passou a representar um custo de 130.000 Kz para uma renovação trimestral.
170,83% de aumento é muito.
E volto a dizer:
não falo apenas pela T4 Classificados.
Falo pelos empreendedores, pelas micro, pequenas e médias empresas e, em última análise, por todos aqueles que estão a ser chamados pelo Estado a entrar na economia formal.
3. O problema não é apenas o preço do software.
Alguém poderá perguntar:
“Mas o que tem o Governo a ver com o preço de um software privado?”
A resposta é: o preço, isoladamente, é uma questão comercial.
Mas quando o software se torna parte dos instrumentos necessários para cumprir as obrigações fiscais e operar formalmente na economia digital, a questão passa a ter também uma dimensão de política pública.
E é aqui que precisamos de discutir seriamente o modelo de formalização.
Se um empreendedor tem de pagar:
* constituição e manutenção da empresa;
* contabilidade;
* impostos;
* segurança social;
* licenças e taxas;
* serviços bancários;
* internet e equipamentos;
* softwares;
* certificação e ferramentas de facturação;
* trabalhadores e demais custos operacionais;
a pergunta que devemos fazer é:
Quanto da capacidade financeira de um pequeno empreendedor estamos a consumir apenas para que ele consiga permanecer formal?
Não podemos exigir formalização sem discutir o *custo da formalização.
4. O Flex é particularmente importante para a economia digital
O problema torna-se ainda mais relevante porque o Vendus Flex não é apenas uma ferramenta básica de facturação.
É precisamente o plano destinado aos operadores que necessitam de funcionalidades mais avançadas de integração tecnológica, incluindo API e integrações.
Ou seja, é particularmente relevante para quem desenvolve actividade no ciberespaço: plataformas digitais, comércio electrónico, lojas online, prestadores de serviços digitais e outros negócios que precisam de integrar os seus sistemas com a facturação.
Portanto, quando falamos do custo deste tipo de ferramenta.
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