Nojenta invasão e o cúmulo da vergonha no Zango 8 mil!



É nojenta, vergonhosa e de muito mau carácter a forma como alguns espaços públicos na centralidade do Zango 8 Mil estão a ser apropriados e ocupados por grupo de pessoas, supostamente sob cedência, autorização, conluio ou colaboração da própria administração municipal de Calumbo, a julgar pelo silêncio desta diante da absurda usurpação do bem comum. 


Espaços públicos destinados à construção de infraestruturas de interesse colectivo, ao arejamento e à arborização das centralidades estão a ser distribuídos a pessoas singulares para fins que não servem os interesses da colectividade. Isso representa uma vergonha, uma afronta ao Estado, um desrespeito pelos munícipes e uma clara e terrível descaracterização urbanística da centralidade.


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A título de exemplo, quem passa pela centralidade do Zango 8 Mil depara-se com espaços públicos que deveriam servir para a arborização e o arejamento da zona a serem ocupados com chapas, vedações e outras estruturas, descaracterizando todo o valor urbanístico daquela centralidade.


O que mais preocupa é o destino que está a ser dado a muitos desses espaços. Normalmente, são utilizados para projectos que pouco ou nada têm a ver com o interesse dos moradores, como bares, boates, maratonas e outras actividades que, em muitos casos, fomentam o consumo de álcool, a prostituição e outros comportamentos socialmente nocivos.


Se esses espaços fossem ocupados para a instalação de bibliotecas, centros de pesquisa, bancos, notários, equipamentos sociais ou outras infraestruturas capazes de produzir impacto positivo na vida dos munícipes, talvez houvesse algum termo para compreensão. Mas não é isso que acontece.


Os espaços estão a ser usurpados para fins que não contribuem e não agregam valor à vida de quem escolheu a centralidade para viver, de quem paga caro ao Estado ou de quem sacrificou grande parte da sua vida para ter acesso a uma habitação na centralidade.


É uma vergonha e exige-se a urgente intervenção das autoridades competentes para pôr fim a este estado de coisas, antes que a centralidade seja completamente descaracterizada.


É importante lembrar que as centralidades foram construídas com uma finalidade específica e deveriam manter o seu modelo urbanístico, a organização dos espaços e o padrão de infraestruturas concebidos no momento da sua criação. Não podem ser progressivamente invadidas por construções e ocupações que não beneficiam os seus moradores.


É preciso que as autoridades assumam as suas responsabilidades, fiscalizem as cedências e ocupações dos espaços públicos e impeçam que interesses particulares se sobreponham ao interesse colectivo.


Domingos Bento,

 jornalista


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