O petróleo é quase metade da economia angolana. Essa conta só fecha se virar gente preparada- Gianni Gaspar Martins

 


O Professor Manuel Alves da Rocha, Director do CEIC da Universidade Católica de Angola, tem chamado a atenção para um dado que merece ser levado a sério: o petróleo representa entre 43% e 46% do Produto Interno Bruto de Angola. É um diagnóstico sustentado por números e que ajuda a explicar porque a diversificação da economia continua a ser um desafio.


Concordo com essa leitura.


Mas também acredito que há uma pergunta que precisa de acompanhar esse diagnóstico: o que fazemos com esta realidade?


Durante muito tempo discutimos o petróleo quase sempre a partir do recurso. Falámos de produção, de exportação, de receitas e de investimento. Tudo isso é importante. Mas há uma dimensão que decide o impacto de qualquer riqueza natural e que recebe menos atenção: as pessoas.


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Nenhum país transforma recursos em desenvolvimento de forma duradoura se não investir na formação de quem vai pensar, operar, investigar, gerir e liderar esse sector.


É por isso que, quando se fala em diversificação, raramente penso em abandonar o petróleo. Penso, antes, em aumentar a capacidade que Angola tem para transformar essa riqueza em conhecimento, competência e oportunidades para mais angolanos.


Esse caminho passa por três movimentos muito concretos.


O primeiro é a formação técnica. Não existe indústria forte sem profissionais preparados. A engenharia, a geologia, a gestão, a investigação e tantas outras áreas exigem investimento contínuo em pessoas.


O segundo é a transferência de conhecimento entre gerações. Cada profissional experiente carrega aprendizagens que nenhum manual substitui. Quando esse conhecimento é partilhado, o país avança mais depressa.


O terceiro é tratar o conteúdo local como uma questão de soberania económica. Desenvolver competências dentro de Angola significa criar valor que permanece no país, fortalecer empresas nacionais e abrir espaço para novas gerações participarem de forma cada vez mais qualificada.


Há exemplos que mostram que este caminho já existe.


A Bolsa Albina Assis, promovida pela Angola Oil & Gas, incentiva a formação de jovens raparigas para o sector energético. O GeoStratos nasceu para aproximar conhecimento técnico da nova geração de profissionais angolanos. As bolsas promovidas pela Fundação Gianni Gaspar Martins seguem a mesma convicção: investir em pessoas continua a ser o activo mais importante que um país pode construir.


O Professor Manuel Alves da Rocha tem razão quando alerta para o peso que o petróleo ainda representa na economia angolana.


A questão agora é outra.


O verdadeiro valor dessa riqueza será sempre medido pela capacidade que tivermos de formar pessoas preparadas para transformar recursos em desenvolvimento.


Esse é um trabalho que já começou.


E que continua todos os dias.

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