O presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, integrou deputados da UNITA na delegação parlamentar que o acompanhou numa visita oficial à China, numa composição que juntou, em partes iguais, representantes do principal partido da oposição e do MPLA. Tratou-se de uma abertura até então rara na história dos seus antecessores.
A deslocação decorreu de 9 a 17 de Setembro e teve como objectivo reforçar a cooperação parlamentar entre Angola e a China, através do intercâmbio de experiências legislativas, contactos institucionais e visitas a projectos ligados à inovação e ao desenvolvimento tecnológico.
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A delegação integrou os deputados Manuel Dembo, primeiro secretário da Mesa da Assembleia Nacional, e Alcides Sakala, ambos da UNITA, bem como Pedro Neto, Joaquim Reis Júnior e Paciência Caxito, do MPLA. Albertina Ngolo, também indicada como integrante da comitiva, é igualmente deputada da UNITA. A missão contou ainda com a participação da embaixadora de Angola na China, Dalva Ringote Allen, e de diplomatas da representação angolana.
A visita ocorreu a convite de Zhao Leji, presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional da China, e foi apresentada como a primeira visita oficial de um presidente da Assembleia Nacional de Angola àquele país.
Um dos principais momentos da agenda ocorreu em 11 de Setembro, em Pequim, com a assinatura de um Memorando de Entendimento entre a Assembleia Nacional de Angola e a Assembleia Popular Nacional da China. O acordo prevê o reforço do diálogo político e institucional, o intercâmbio de experiências legislativas e a cooperação entre comissões especializadas e grupos de amizade parlamentar.
Durante a passagem por Pequim, Adão de Almeida ministrou também uma aula magna na Universidade de Petróleo da China, onde abordou o papel do Parlamento na criação de condições legislativas e fiscais para a atracção de investimento para o sector petrolífero angolano.
A delegação deslocou-se posteriormente à província de Hebei, onde manteve contactos com autoridades locais e visitou projectos associados à inovação tecnológica e ao desenvolvimento urbano. Em Xiong’an, os parlamentares conheceram, entre outras estruturas, um centro de inovação tecnológica da China Mobile, com soluções nas áreas de 5G, inteligência artificial e gestão digital das cidades, segundo informações da Embaixada de Angola na China.
Em Shijiazhuang, capital de Hebei, Adão de Almeida defendeu o aprofundamento da cooperação entre Angola e a província chinesa nos domínios económico, comercial e parlamentar, considerando que a parceria entre os dois países deve traduzir-se em resultados com impacto nas populações.
A agenda incluiu igualmente contactos com instituições chinesas e a análise de experiências nas áreas da formação, inovação, desenvolvimento urbano e organização parlamentar. Manuel Dembo, citado pela imprensa, afirmou que a deslocação pretende aproximar os dois Parlamentos e permitir a identificação de práticas chinesas susceptíveis de adaptação à realidade angolana.
A cooperação entre Angola e a China foi elevada, em 2024, ao nível de parceria estratégica global, depois do estabelecimento das relações diplomáticas entre os dois países, em 1983. A visita de Adão de Almeida insere-se nesse quadro e procura reforçar a chamada diplomacia parlamentar entre Luanda e Pequim.
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