O Presidente João Manuel Gonçalves Lourenço ampliou significativamente os poderes do governador de Luanda, Luís Manuel da Fonseca Nunes, tornando-o um dos titulares da pasta com maior autonomia desde a criação das províncias. Segundo apurou o Club-K, o reforço resulta de exigências colocadas pelo próprio governador desde que assumiu o comando da capital, defendendo que a gestão de Luanda deve estar concentrada no Governo Provincial e não dispersa por ministérios.
Uma das principais mudanças é a transferência para o Governo Provincial de todos os projetos de reabilitação urbana, que até agora eram conduzidos pelo Ministério das Obras Públicas. Nunes argumentou que, sendo ele o titular da província, os projetos devem estar sob a sua tutela direta. A gestão das centralidades também deixou de estar no Instituto Nacional da Habitação (INH), passando para o Governo Provincial. Empresas públicas estratégicas como EPAL e TCUL encontram-se igualmente em processo de transição para a tutela provincial, reforçando o controlo administrativo de Nunes sobre os serviços essenciais da capital.
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Para 2026, o Presidente duplicou o orçamento da província, tornando Luís Nunes o governador de Luanda com maior capacidade financeira da última década. Em comparação, o falecido Sérgio Rescova geriu cerca de US$ 403 milhões, Ana Paula de Carvalho administrou US$ 988 milhões, e Manuel Homem teve um orçamento de US$ 516 milhões. Já Luís Nunes recebeu aprovação para US$ 1,17 mil milhões, consolidando uma posição inédita de força administrativa.
No plano institucional, Nunes tem defendido uma interpretação rígida da hierarquia provincial. O governador não aceita que ministros convoquem delegados provinciais das respetivas áreas sem o seu conhecimento prévio. Titulares da Educação, Obras Públicas e Energia e Águas já terão sido alvo de chamadas de atenção por convocarem delegados de Luanda diretamente. O argumento de Nunes é que os delegados provinciais são membros do seu governo, e que não pode existir dupla subordinação nem orientações paralelas vindas de ministérios sem coordenação com o governador.
Club-K
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