O jornalista angolano Ramiro Aleixo relatou ter sido alvo de uma tentativa de assalto durante a madrugada de segunda-feira, 21 de Setembro, na sua residência, no município da Catumbela, província de Benguela, durante a qual um dos assaltantes disparou contra si à queima-roupa, sem o atingir.
Segundo o relato publicado pelo próprio jornalista, o incidente ocorreu por volta das 02:00, quando se encontrava a dormir no quarto. Aleixo disse ter despertado depois de ouvir um ruído e de perceber que uma das janelas estava a ser forçada. Ao acenderem-se as luzes do quintal, afirmou ter visto o cano de uma arma e o rosto de um indivíduo do lado de fora da janela.
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Depois de gritar por socorro, o jornalista disse ter visto o homem tentar abandonar o local, subindo o muro que separa a sua residência da propriedade vizinha. O indivíduo, descrito como tendo estatura mediana, vestido com um macacão cor-de-laranja, uma toca azul e uma mochila preta, terá recuado em direcção à janela e efectuado um disparo com uma arma do tipo AK, a curta distância.
Aleixo afirmou ter-se atirado ao chão por instinto, evitando ser atingido. O projéctil atravessou uma barra de alumínio e o vidro da janela, rasgou o cortinado, perfurou a porta da casa de banho e acabou por se deformar no chão, depois de embater na parede, segundo a descrição do jornalista.
Após o disparo, o homem terá exigido dinheiro e ameaçado efectuar novos disparos caso não lhe fossem entregues as chaves de uma viatura. O jornalista disse ter procurado manter o diálogo com o assaltante, alegando não possuir dinheiro no quarto e indicando que poderia ir buscar as chaves do carro.
A estratégia, segundo Aleixo, tinha como objectivo afastar o assaltante do quarto e proteger a mulher e o filho, que se encontravam noutra divisão da residência. Enquanto recuava em direcção à porta, o jornalista conseguiu sair do quarto, fechar a porta à chave e refugiar-se com a família, onde permaneceu até à chegada do auxílio.
De acordo com o relato, o assaltante permaneceu no interior da residência durante alguns minutos, acendeu a luz do quarto e procurou objectos de valor. Acabou por levar um telefone e dois relógios. Uma vistoria posterior ao perímetro da residência terá indicado a participação de pelo menos dois indivíduos, sendo que um deles teria permanecido no exterior para assegurar a cobertura da operação.
O auxílio chegou, segundo Aleixo, por volta das 03:30, inicialmente através de vizinhos e guardas de segurança, tendo posteriormente sido reforçado por efectivos da Polícia Nacional. Depois de uma vistoria ao quintal, a família foi informada de que poderia abandonar o quarto em segurança.
O caso foi entregue aos Serviços de Investigação Criminal (SIC) no município da Catumbela. O jornalista, contudo, criticou a actuação das autoridades, afirmando que, até ao momento do seu relato, não tinha observado a recolha de elementos materiais que pudessem contribuir para a investigação, tendo sido recolhidos sobretudo depoimentos das vítimas.
Aleixo revelou ainda que, na manhã de sexta-feira, a mulher recebeu uma chamada telefónica de um número através do qual alguém solicitou o código de segurança do telefone roubado durante o assalto. O jornalista afirmou suspeitar que o contacto possa ter sido feito por um dos indivíduos envolvidos no crime e disse ter comunicado o facto às autoridades.
Segundo o jornalista, foi-lhe explicado que o rastreamento do número telefónico dependeria do cumprimento de procedimentos processuais, que poderiam prolongar-se no tempo.
Aleixo referiu também ter sido informado de que as características que forneceu às autoridades poderão coincidir com as de uma dupla suspeita de ter recentemente manietado guardas de dois estaleiros da empresa OMATAPALO e assaltado uma empresa de capitais chineses na região.
O jornalista considerou que o episódio representa o quarto assalto de que foi vítima, embora tenha descrito este como o mais grave, devido ao disparo efectuado contra si e ao impacto psicológico provocado na família.
No seu relato, Aleixo aproveitou o episódio para questionar as condições de trabalho das forças policiais na província de Benguela, apontando para a alegada insuficiência de efectivos e de meios operacionais. Segundo dados por si citados, o município de Benguela teria cerca de um agente policial para cada 700 habitantes, enquanto o comando policial da Catumbela, com aproximadamente 180 mil habitantes, disporia de pouco mais de duas viaturas operacionais.
O jornalista relacionou a criminalidade com a falta de emprego e de oportunidades para os jovens, defendendo que a resposta ao fenómeno exige igualmente o reforço das condições de segurança e das oportunidades económicas.
O episódio terminou sem vítimas mortais, mas, segundo Ramiro Aleixo, deixou a família traumatizada e com receio da noite. O jornalista afirmou ter sentido a proximidade da morte durante o ataque e considerou que a sobrevivência resultou, em parte, da reacção instintiva que teve no momento em que foi efectuado o disparo.
A investigação do assalto permanece, segundo o relato, sob responsabilidade das autoridades policiais e de investigação criminal da Catumbela.
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