O antigo vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, afirmou que as condições menos vantajosas obtidas pelo país nos empréstimos contraídos junto da China resultaram de falhas negociais angolanas e não de uma estratégia predatória de Pequim, segundo entrevista publicada pelo centro de investigação Asia Pacific Research Circle (APRC). Vicente, que dirigiu a petrolífera estatal Sonangol antes de assumir a vice-presidência entre 2012 e 2017, recordou que a aproximação a Pequim se seguiu a uma recusa de apoio financeiro por parte de Washington, do Clube de Paris, do Banco Mundial e do FMI, duas semanas depois do fim da guerra civil, em fevereiro de 2002.
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Segundo o antigo governante, apesar da assimetria de poder negocial, a responsabilidade pelos termos menos favoráveis dos empréstimos cabe a Angola e não à China, considerando que o país “não defendeu os seus interesses com firmeza”. A dívida angolana à China, garantida por remessas de petróleo através do chamado “modelo angolano”, chegou a ultrapassar os 42 mil milhões de dólares ao longo de duas décadas, mas tem vindo a ser reduzida desde que Luanda deixou de contrair empréstimos garantidos por crude junto de Pequim, em 2017.
Manuel Vicente defendeu ainda que Angola deve priorizar a industrialização das suas matérias-primas através de projetos como a refinaria de Lobito, atualmente em construção e o reforço do comércio intra-africano, antes de aprofundar parcerias com potências externas. O antigo vice-presidente criticou também a cobertura internacional sobre Angola, considerando que muitos analistas estrangeiros “nunca estiveram lá” e desconhecem a realidade do país.
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