Ponto de Situação: Francisco Higino Carneiro questiona a transparência e defende a democracia interna do MPLA



General Francisco Higino Lopes Carneiro fez um ponto de situação sobre a sua intenção de concorrer à liderança do MPLA, defendendo que o processo em curso, apesar de ter sido apresentado como abertura para múltiplas candidaturas, pode estar a transformar-se numa crise marcada por especulação, controvérsia e interpretações.


Na sua intervenção, dirigida a camaradas e ao povo angolano, o candidato afirma que a decisão de se colocar no pleito não foi um acto impulsivo, tendo sido ponderada durante mais de um ano. Segundo o próprio, em 2 de Junho de 2025 comunicou pessoalmente ao então Presidente do MPLA, João Lourenço, a sua intenção, num encontro realizado em Angola, na presença de dirigentes do Bureau Político.



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Carneiro sustenta que, embora tenha sido reiterada a orientação de permitir concorrência plural, observou depois aquilo que descreve como um desalinhamento entre o diálogo mantido e o modo como a informação teria sido tornada pública. O general liga ainda a sua posição às resoluções aprovadas pelo Comité Central, que enquadrariam a preparação do IX Congresso Ordinário, previsto para Dezembro de 2026.

Ao longo do texto, o militar-político diz não pretender atacar o partido, o seu presidente ou qualquer camarada, mas afirma que as circunstâncias vividas no processo lhe impõem “perguntas concretas” sobre a liberdade de participação e a capacidade do MPLA de acolher a pluralidade interna.

Questões sobre aceitação e rejeição de candidaturas

Entre os pontos mais enfatizados, o general questiona como se explica que militantes que teriam apresentado candidaturas em diferentes níveis — incluindo estruturas como CAP, Comunas e Municípios — tenham visto as suas candidaturas rejeitadas. Também afirma ter conhecimento de casos em que apoiantes da sua candidatura teriam sido afastados ou cessados das suas funções partidárias.

O candidato exige que eventuais dúvidas sejam esclarecidas com base em verificação de fichas e confrontação de dossiers, defendendo que a transparência é indispensável para preservar a credibilidade do processo.

Cifras e alegações de “falsificação”

Na sua intervenção, Carneiro refere que o mandatário declarou, a 25 de Junho, a entrega de 19.158 fichas, distribuídas em 152 pastas, e questiona: caso os números correspondam à realidade documental apresentada, “que necessidade haveria de recorrer à falsificação”.  

Com isso, reforça a exigência de confronto documental e de tratamento igualitário das regras.

Apelo à crítica, autocrítica e combate à bajulação

O general sustenta que a situação observada não se resume à sua candidatura, mas ao risco de o processo estar a criar fissuras entre militantes. Defende a recuperação plena do exercício de crítica e autocrítica, o combate ao que chama de bajulação e culto da personalidade, e propõe que o militante seja colocado no centro da vida do partido.

Resposta institucional e recursos legais após acórdão

O texto também menciona que o general diz ter acatado a decisão na sequência do Acórdão nº 1137/2026 do Tribunal Constitucional,  embora afirme não estar de acordo com a mesma, e declara que o seu advogado teria apresentado três requerimentos, incluindo pedidos de aclaração, alegações de falsidade e discussão sobre nulidade do acórdão.

Ele afirma ainda que apresentou recursos dentro da cadeia procedimental interna, com o objectivo de fazer valer direitos estatutários e evitar o que considera risco de impugnação do processo.

“Confrontemos os dossiers” e “a diferença como regra”

No encerramento, Carneiro declara que a candidatura não é apenas individual, mas sim de militantes que a subscreveram e apoiam. Reitera que pretende somar e não dividir, defendendo a tese: “Confrontemos os dossiers. Apliquemos as mesmas regras a todos.”

O general conclui com a ideia central de que a questão é mais profunda do que permitir ou impedir a candidatura, questionando “que partido queremos ser” — um MPLA onde a diferença seja vista como ameaça, ou um partido onde a diferença possa ser discutida dentro das regras com respeito e responsabilidade.


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