Presidente da República destaca crescimento económico, redução da dívida pública, construção de 736 unidades sanitárias, expansão de mais de 37 mil salas de aula e melhoria do acesso à electricidade e à água potável. Apesar dos resultados apresentados, o Chefe de Estado reconhece que Angola continua a enfrentar desafios relacionados com o desemprego, as desigualdades sociais e a necessidade de melhorar as condições de vida das populações.
O Presidente da República de Angola, João Manuel Gonçalves Lourenço, apresentou, nesta quinta-feira, 15 de Outubro de 2026, na Assembleia Nacional, em Luanda, a sua mensagem sobre o Estado da Nação, fazendo um balanço dos principais resultados alcançados pelo Executivo desde a sua chegada ao poder, em Setembro de 2017, e apresentando as prioridades governativas para a fase final do actual mandato presidencial.
Num discurso marcado pela apresentação de indicadores económicos, investimentos públicos e projectos estruturantes, o Chefe de Estado procurou demonstrar que Angola registou transformações importantes nos últimos nove anos, particularmente nos sectores da saúde, educação, energia, águas, transportes, agricultura e modernização das instituições públicas.
João Lourenço reconheceu, entretanto, que o crescimento económico e a construção de infra-estruturas não representam, por si só, o desenvolvimento pleno de uma nação, defendendo que os resultados da governação devem ser avaliados sobretudo pela melhoria efectiva das condições de vida dos cidadãos.
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A intervenção presidencial decorreu num momento particularmente importante da vida política angolana, a pouco mais de um ano das eleições gerais de 2027 e no contexto das comemorações dos 50 anos da Independência Nacional.
Economia angolana regista crescimento e dívida pública cai de 115,9% para 51,2% do PIB
Um dos principais destaques da mensagem presidencial esteve relacionado com a evolução da economia nacional e os resultados das reformas macroeconómicas implementadas pelo Executivo.
Segundo os dados apresentados por João Lourenço, Angola conseguiu recuperar gradualmente da recessão económica, registando um crescimento real de 3% em 2025.
No primeiro trimestre de 2026, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 5,3%, impulsionado principalmente pelo sector não-petrolífero, que registou uma expansão de 6,2%.
O Presidente destacou que os sectores não ligados ao petróleo passaram a desempenhar um papel cada vez mais importante na dinamização da economia, contribuindo para reduzir a dependência histórica das receitas petrolíferas.
Nos últimos dois anos, o PIB não-petrolífero apresentou um crescimento médio de 5,2%, enquanto o crescimento médio da economia nacional se situou em 4%.
Outro indicador apresentado foi a redução do peso da dívida pública, que passou de 115,9% do PIB, em 2020, para 51,2% em 2026.
Para o Executivo, esta evolução representa uma melhoria da sustentabilidade das finanças públicas e poderá permitir uma maior disponibilidade de recursos para investimentos em serviços essenciais.
João Lourenço anunciou igualmente que o PIB nominal de Angola está estimado em 141,7 mil milhões de dólares norte-americanos.
No domínio da inflação, os dados apresentados indicam uma redução de 27,5%, em 2024, para 10,8%, em Junho de 2026.
O desemprego, por sua vez, terá recuado de 31,5%, em 2024, para 21,3%, no primeiro trimestre deste ano.
Apesar da evolução positiva destes indicadores, o Presidente reconheceu a existência de desafios estruturais, nomeadamente a baixa formalização da economia e a necessidade de transformar a estabilidade macroeconómica em oportunidades concretas para as famílias.
Saúde: Governo anuncia construção de 736 unidades sanitárias desde 2017
No sector da saúde, João Lourenço apresentou um dos balanços mais extensos da sua intervenção, destacando a expansão da rede hospitalar e o investimento na formação e contratação de profissionais.
Segundo o Presidente, entre 2017 e o primeiro trimestre de 2026 foram construídas 736 unidades sanitárias, permitindo que a rede nacional passasse de 2.612 para 3.348 unidades.
Actualmente, de acordo com os números apresentados, o país dispõe de 3.093 postos e centros de saúde, 172 hospitais municipais, 56 hospitais gerais e 27 unidades hospitalares de nível terciário.
Entre as infra-estruturas destacadas encontram-se o Complexo Hospitalar Pedro Maria Tonha “Pedalé”, o Hospital dos Queimados Presidente Julius Nyerere, o Hospital Geral de Viana “Bispo Emílio de Carvalho”, o Hospital Geral de Cacuaco “Heróis de Kifangondo”, bem como unidades hospitalares construídas nas províncias do Cunene, Cuanza Sul e Cuanza Norte.
O Chefe de Estado informou que o Serviço Nacional de Saúde dispõe actualmente de 45.146 camas hospitalares, incluindo 1.675 destinadas aos cuidados intensivos.
No capítulo dos recursos humanos, revelou que foram integrados 28.429 novos profissionais nos últimos quatro anos, elevando a força de trabalho do sector para aproximadamente 106.791 profissionais.
Para 2026, está prevista a contratação de mais seis mil profissionais de saúde, mediante concurso público.
O Presidente destacou ainda os avanços tecnológicos alcançados no tratamento de doenças complexas, incluindo a introdução da cirurgia robótica.
De acordo com os dados apresentados, já foram realizados 136 procedimentos com recurso a esta tecnologia, dos quais dez por telecirurgia, envolvendo especialistas localizados no estrangeiro e equipas médicas em Angola.
João Lourenço sublinhou também os progressos nos indicadores de saúde pública, apontando o aumento da esperança média de vida de 61 para 64 anos e a redução da mortalidade materna de 239 para 170 óbitos por cada 100 mil nados-vivos.
Apesar destes avanços, reconheceu que a malária continua a representar uma das principais ameaças à saúde pública angolana, exigindo investimentos permanentes na prevenção, diagnóstico e tratamento.
Educação: mais de nove milhões de alunos matriculados e 37 mil novas salas de aula
A educação ocupou igualmente um lugar central na mensagem presidencial, com João Lourenço a destacar os investimentos realizados na expansão das infra-estruturas escolares e na valorização do capital humano.
Segundo o Chefe de Estado, o sistema educativo angolano conta, no ano lectivo 2026/2027, com 9.141.729 alunos matriculados, distribuídos por 141.678 salas de aula e acompanhados por 252.419 professores.
Entre 2021 e o terceiro trimestre de 2026, foram disponibilizadas 37.312 salas de aula, aumentando significativamente a capacidade de acolhimento de crianças e jovens no sistema de ensino.
O Presidente reconheceu, no entanto, que Angola continua a enfrentar um número considerável de crianças fora da escola, além de um défice de professores em várias regiões do país.
Para responder a estas dificuldades, o Executivo prevê a construção e reabilitação de 1.664 escolas prioritárias, com capacidade projectada para integrar aproximadamente 1,88 milhões de crianças e jovens.
No domínio dos recursos humanos, João Lourenço anunciou o reforço do sector com mais nove mil profissionais, incluindo oito mil professores e mil funcionários administrativos.
Outro destaque foi o Programa Nacional de Alimentação Escolar, que, segundo os dados apresentados, já beneficiou 3.426.282 crianças no terceiro trimestre de 2026, abrangendo 304 municípios.
O Executivo considera que a alimentação escolar constitui um instrumento importante para combater o abandono escolar, melhorar a aprendizagem e apoiar as famílias em situação de vulnerabilidade.
No ensino superior, o Presidente informou que Angola conta actualmente com 106 instituições, sendo 31 públicas e 75 privadas, responsáveis pela formação de aproximadamente 352 mil estudantes.
O Chefe de Estado defendeu que a expansão do ensino deve ser acompanhada por melhorias na qualidade da formação, na investigação científica e na preparação dos jovens para o mercado de trabalho.
Energia eléctrica chega a mais de metade da população angolana
No sector energético, João Lourenço apresentou resultados que considera fundamentais para o processo de industrialização e modernização económica do país.
De acordo com o Presidente da República, a taxa de acesso à energia eléctrica passou de aproximadamente 43% para mais de 50% da população, reflectindo os investimentos realizados na construção de infra-estruturas de produção, transporte e distribuição.
O Chefe de Estado destacou a expansão da Rede Nacional de Transporte de Electricidade, que conta actualmente com 5.860 quilómetros de linhas e 41 subestações.
Segundo os dados apresentados, a rede nacional já interliga as regiões Norte, Centro e parte do Sul do país, beneficiando 13 províncias, nomeadamente Luanda, Icolo e Bengo, Bengo, Malanje, Cuanza Norte, Cuanza Sul, Uíge, Zaire, Benguela, Huambo, Bié, Huíla e Namibe.
O Executivo pretende continuar a expansão das infra-estruturas energéticas, com a perspectiva de atingir aproximadamente 8.870 quilómetros de linhas e 56 subestações no horizonte posterior a 2026.
Entre os projectos considerados prioritários encontram-se novas linhas de transporte de energia destinadas a reforçar a ligação entre diferentes regiões do território nacional.
A estratégia governamental contempla igualmente cerca de 1,7 milhões de novas ligações eléctricas, a electrificação de todas as sedes municipais e a expansão dos sistemas de pré-pagamento para mais de dois milhões de clientes.
João Lourenço defendeu que a electricidade representa muito mais do que um serviço doméstico, constituindo um instrumento de desenvolvimento económico, criação de emprego e redução das desigualdades entre as zonas urbanas e rurais.
Água potável: cobertura nacional ultrapassa 62% e Governo promete novos investimentos
O abastecimento de água potável foi outro dos sectores destacados na mensagem sobre o Estado da Nação.
Segundo o Presidente, a cobertura nacional de abastecimento de água ultrapassa actualmente 62% da população, estando o Executivo empenhado em elevar este indicador para mais de 65% até ao final do mandato.
João Lourenço recordou que, em 2017, Angola dispunha de aproximadamente 508 mil ligações domiciliares de água, tendo sido realizados investimentos na construção e reabilitação de sistemas de captação, tratamento, armazenamento e distribuição.
Nas sedes provinciais e municipais, a produção de água potável passou de cerca de 828 mil metros cúbicos por dia, em 2017, para 1,326 milhões de metros cúbicos por dia.
O Presidente destacou a expansão dos sistemas de abastecimento nas cidades do Lubango, Ndalatando, Uíge e Luena, bem como a construção de novas infra-estruturas no Huambo, Mbanza Congo e Cuito.
Entre os grandes investimentos em curso, destacou-se o Sistema de Abastecimento de Água do BITA, que prevê beneficiar aproximadamente 2,5 milhões de habitantes na região sul de Luanda.
Outro projecto considerado estratégico é o Sistema Quilonga Grande, cuja capacidade projectada permitirá atender cerca de cinco milhões de habitantes em localidades de Luanda e Icolo e Bengo.
O Presidente reconheceu, contudo, que a expansão da cobertura precisa de ser acompanhada por uma melhoria da manutenção das infra-estruturas, redução das perdas de água e combate ao vandalismo e às ligações ilícitas.
Agricultura e segurança alimentar continuam entre as prioridades nacionais
A diversificação económica, particularmente através da agricultura, constituiu outro dos pilares da mensagem presidencial.
João Lourenço destacou os investimentos destinados a aumentar a produção nacional, apoiar os agricultores familiares e reduzir a dependência das importações alimentares.
Segundo os indicadores apresentados, a disponibilidade de sementes certificadas aumentou de 2.850 toneladas, em 2023, para 6.930 toneladas, em 2025, representando um crescimento de aproximadamente 143,2%.
No mesmo período de reformas, a disponibilidade média de fertilizantes destinados à agricultura familiar passou de 13 mil toneladas, em 2022, para 173.604 toneladas, em 2026.
O Chefe de Estado destacou igualmente os projectos de irrigação agrícola, entre os quais o Cacála e Coreia, o Quizenga e o Luinga.
O projecto Quizenga dispõe de dois mil hectares irrigados e apoia dezenas de pequenos e médios produtores, enquanto o projecto Luinga prevê mais de dez mil hectares irrigados, com potencial para beneficiar aproximadamente quatro mil famílias camponesas e uma centena de empresas agrícolas.
Na perspectiva do Executivo, estes investimentos deverão contribuir para aumentar a produção de alimentos, fortalecer as comunidades rurais e criar novas oportunidades económicas.
O grande desafio permanece, entretanto, na transformação dos investimentos agrícolas em maior disponibilidade de produtos alimentares a preços acessíveis, sobretudo para as famílias com menores rendimentos.
Emprego: Executivo aponta criação de mais de 920 mil vínculos laborais
A criação de emprego, especialmente para a juventude, mereceu particular atenção do Presidente da República.
João Lourenço informou que, entre 2022 e o primeiro semestre de 2026, o mercado de trabalho angolano registou uma criação líquida superior a 920 mil vínculos laborais.
Segundo o Chefe de Estado, os programas de formação profissional e promoção do emprego têm contribuído para preparar os cidadãos para as exigências do mercado.
Entre 2022 e o primeiro semestre de 2026, o Sistema Nacional de Formação Profissional formou aproximadamente 600 mil cidadãos.
O Presidente destacou ainda o Programa Jovens, Oportunidades e Bons Empregos (JOBE) e o Plano de Acção para a Promoção da Empregabilidade, que, em conjunto, beneficiaram mais de 140 mil jovens angolanos.
Entre as novas iniciativas anunciadas encontra-se o projecto JOVEM+, com vigência até 2030, que prevê beneficiar mais de 500 mil angolanos com idades compreendidas entre os 16 e os 35 anos.
O programa estabelece que pelo menos 40% dos beneficiários sejam mulheres e 6% pessoas com deficiência.
Apesar dos indicadores apresentados, o desemprego juvenil e a necessidade de criação de empregos estáveis continuam a representar desafios para a economia nacional.
A redução da taxa geral de desemprego não elimina a necessidade de ampliar as oportunidades profissionais, melhorar os rendimentos e fortalecer o sector produtivo.
Transportes: novo Aeroporto Internacional já movimentou dois milhões de passageiros
No domínio dos transportes, João Lourenço destacou os investimentos destinados a modernizar as infra-estruturas aeroportuárias e melhorar a mobilidade de pessoas e mercadorias.
Um dos principais exemplos apresentados foi o Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, considerado pelo Executivo um investimento estratégico para transformar Angola num importante centro de ligações aéreas na região.
Segundo os números apresentados, a infra-estrutura já movimentou dois milhões de passageiros e proporcionou a criação de aproximadamente seis mil empregos directos.
O Terminal de Carga Aérea registou 916 movimentos de 33 operadoras diferentes, tendo movimentado cerca de 28 mil toneladas de carga.
O Presidente destacou igualmente os avanços no processo de certificação internacional do aeroporto, apontando a conclusão de seis certificações estratégicas.
Para o Executivo, a modernização aeroportuária deverá contribuir para atrair investimentos, desenvolver o turismo, facilitar as exportações e fortalecer a integração económica de Angola com outros mercados.
Combate à corrupção e recuperação de activos continuam na agenda presidencial
Ao abordar o funcionamento das instituições públicas, João Lourenço reafirmou o compromisso do Executivo com o combate à corrupção, ao peculato, ao nepotismo e ao tráfico de influências.
O Presidente recordou que a luta contra a utilização indevida dos recursos públicos constitui uma das principais orientações políticas adoptadas desde a sua chegada ao poder, em 2017.
Segundo o Chefe de Estado, foram reforçados os instrumentos jurídicos, abertos processos judiciais, recuperados activos financeiros e patrimoniais e introduzidos novos mecanismos de controlo da administração pública.
João Lourenço afirmou que Angola melhorou 28 posições no ranking africano do índice de corrupção e 19 lugares no índice da Transparência Internacional, conforme os indicadores mencionados no discurso.
O Presidente defendeu ainda uma administração pública mais eficiente, transparente e próxima dos cidadãos, sublinhando que o exercício de funções públicas deve estar associado à responsabilidade de servir a população.
Apesar dos progressos reivindicados pelo Executivo, a consolidação da transparência, a responsabilização dos gestores públicos e a eficácia das instituições permanecem questões fundamentais para fortalecer a confiança dos cidadãos no Estado.
Reconciliação nacional: João Lourenço destaca homenagem a Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi
Um dos momentos de maior significado político da mensagem presidencial esteve relacionado com a reconciliação nacional e a preservação da memória histórica de Angola.
João Lourenço recordou que, em 2021, assumiu publicamente a responsabilidade de pedir desculpas pelos crimes cometidos durante os conflitos políticos ocorridos entre a proclamação da Independência Nacional, em 1975, e o alcance da paz definitiva, em 2002.
O Presidente destacou o trabalho da Comissão para a Implementação do Plano de Reconciliação em Memória das Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), criada para promover a dignificação das vítimas e contribuir para a superação das feridas históricas.
Na sua intervenção, João Lourenço recordou igualmente a decisão de permitir à família de Jonas Savimbi proceder à transladação dos seus restos mortais e realizar um funeral condigno.
No contexto das comemorações dos 50 anos da Independência Nacional, o Presidente destacou as homenagens prestadas aos três líderes históricos dos movimentos de libertação nacional: António Agostinho Neto, Álvaro Holden Roberto e Jonas Malheiro Savimbi.
O Chefe de Estado fez também referência à inauguração, no dia 14 de Outubro de 2026, do Memorial às Vítimas dos Conflitos Políticos, apresentado como um espaço de memória, reflexão e educação patriótica.
Na perspectiva presidencial, a reconciliação nacional constitui uma condição indispensável para garantir a estabilidade política, fortalecer a democracia e promover o desenvolvimento económico e social.
Angola procura reforçar o seu protagonismo internacional
No capítulo da política externa, João Lourenço destacou o papel desempenhado por Angola na promoção da paz, da estabilidade regional e do desenvolvimento das infra-estruturas africanas.
O Presidente fez referência à liderança angolana da União Africana e aos esforços diplomáticos destinados a fortalecer a cooperação entre os países do continente.
Entre as iniciativas destacadas esteve a Cimeira de Financiamento para o Desenvolvimento das Infra-estruturas em África, realizada em Luanda, entre 28 e 31 de Outubro de 2025.
Segundo João Lourenço, o encontro permitiu a aprovação de uma carteira de 38 projectos considerados suficientemente estruturados para atrair financiamento público e privado.
O Chefe de Estado sublinhou igualmente a importância das parcerias internacionais com países e organizações que apoiam o desenvolvimento das infra-estruturas, a modernização dos transportes e a expansão dos sistemas de energia e abastecimento de água.
A estratégia diplomática apresentada procura consolidar Angola como um parceiro relevante na integração económica africana e na promoção da estabilidade regional.
Apesar dos avanços apresentados, persistem desafios sociais e económicos
Embora o discurso presidencial tenha destacado numerosos indicadores positivos, João Lourenço reconheceu que o desenvolvimento de Angola continua a exigir esforços permanentes.
Entre os principais desafios encontram-se a necessidade de ampliar o acesso à educação, reduzir o desemprego, melhorar os serviços de saúde, aumentar a cobertura de água e energia e combater as desigualdades entre as diferentes regiões do país.
O próprio Presidente reconheceu que os indicadores económicos não podem ser analisados isoladamente das condições concretas de vida das populações.
Nesse sentido, defendeu que o verdadeiro progresso nacional deve ser medido pela capacidade das famílias de viverem melhor, dos jovens de encontrarem emprego, das crianças de frequentarem a escola e dos cidadãos de beneficiarem de serviços públicos eficientes.
Esta perspectiva coloca a melhoria do poder de compra, a qualidade dos serviços públicos e a criação de oportunidades económicas entre os principais critérios de avaliação dos resultados governativos.
A redução da inflação, por exemplo, representa um sinal de desaceleração do aumento dos preços, mas não significa necessariamente que os produtos essenciais tenham ficado mais baratos.
Da mesma forma, a construção de hospitais e escolas exige investimentos contínuos em profissionais, equipamentos, manutenção e qualidade dos serviços prestados.
Assim, a concretização das metas anunciadas pelo Executivo continuará a depender da execução dos projectos, da capacidade de financiamento e da eficácia das políticas públicas.
João Lourenço entra na recta final do mandato com aposta na continuidade das reformas
A mensagem sobre o Estado da Nação de 2026 assume particular relevância por surgir na recta final do segundo mandato presidencial de João Lourenço.
Depois de assumir a Presidência da República em Setembro de 2017 e conquistar um segundo mandato em 2022, o Chefe de Estado apresentou um balanço que procura evidenciar os resultados das reformas iniciadas há nove anos.
O discurso destacou investimentos realizados em diferentes sectores e projectou novas metas para os próximos anos, sobretudo nas áreas de desenvolvimento humano, diversificação económica e modernização das infra-estruturas.
Num país que se prepara para um novo ciclo eleitoral em 2027, os indicadores apresentados deverão alimentar o debate político sobre os resultados da governação, as prioridades nacionais e os desafios ainda por resolver.
Para o Executivo, a expansão das infra-estruturas, a estabilidade macroeconómica e o reforço dos serviços públicos demonstram que Angola está a avançar no seu processo de desenvolvimento.
Contudo, a avaliação destes resultados dependerá também da forma como os investimentos se traduzirem em melhorias concretas e sustentáveis na vida dos cidadãos.
A mensagem presidencial deixou, assim, uma ideia central: o desenvolvimento nacional constitui um processo contínuo, que exige estabilidade política, instituições fortes, investimento produtivo e participação de todos os angolanos.
A pouco mais de um ano das eleições gerais, João Lourenço procurou transmitir uma mensagem de continuidade, confiança e compromisso com a transformação económica e social de Angola, reconhecendo simultaneamente que ainda existe um longo caminho a percorrer para garantir melhores condições de vida a toda a população.
Fonte: Presidência da República de Angola — Mensagem sobre o Estado da Nação 2026, proferida por João Manuel Gonçalves Lourenço, em Luanda, a 15 de Outubro de 2026. Os indicadores e resultados apresentados nesta reportagem são atribuídos ao discurso oficial e não constituem uma verificação estatística independente.
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