Conhecido como “advogado dos pobres”, David Mendes volta a estar no centro de uma polémica política, numa altura em que comentários hostis nas redes sociais reacendem preocupações sobre a sua segurança e integridade física.
O jurista e comentador político angolano David Mendes está a ser alvo de uma nova onda de ataques e críticas nas redes sociais, situação que, segundo informações transmitidas à nossa redacção por fontes próximas da família, tem provocado preocupação quanto à sua segurança pessoal.
A polémica intensificou-se após a circulação de um cartaz nas plataformas digitais em que David Mendes, Joaquim Jaime, Bali Chionga e Mário Aragão são apresentados, de forma depreciativa, como os maiores “bajuladores de 2026”.
Entre os nomes mencionados, David Mendes tem sido um dos principais alvos de comentários ofensivos e manifestações de hostilidade, alguns dos quais, segundo relatos recebidos pela nossa redacção, apresentam um teor considerado preocupante.
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Perante esta situação, o nosso portal procurou compreender, junto de fontes ligadas aos bastidores da política angolana, as razões da crescente animosidade contra o jurista, particularmente no que diz respeito às suas posições públicas sobre a governação do Presidente da República, João Lourenço.
David Mendes tem protagonizado intervenções políticas que, em diversas ocasiões, são interpretadas pelos seus críticos como favoráveis ao actual Executivo. Entretanto, o jurista tem defendido publicamente a sua independência de pensamento e o direito de expressar opiniões sem estar condicionado por interesses partidários.
UM HISTÓRICO DE AMEAÇAS DE MORTE E PERSEGUIÇÃO POLÍTICA
A actual situação não constitui o primeiro episódio de hostilidade enfrentado por David Mendes.
Em Outubro de 2020, quando ainda integrava, como deputado independente, o grupo parlamentar da UNITA, o jurista denunciou publicamente ameaças de morte depois de criticar a participação do partido numa manifestação.
Na ocasião, um vídeo divulgado numa página identificada como UNITA-Bruxelas apresentava jovens a proferirem ameaças contra o jurista, episódio que provocou uma forte controvérsia política e contribuiu para a sua decisão de abandonar a bancada parlamentar da UNITA.
Em 2022, David Mendes voltou a provocar reacções ao declarar publicamente, na TV Zimbo, a sua intenção de votar em João Lourenço nas eleições gerais daquele ano.
A posição suscitou críticas de sectores da oposição e de internautas que passaram a questionar a sua independência política.
Segundo os relatos apresentados à nossa redacção, em manifestações políticas chegaram a ser exibidos cartazes com a imagem de David Mendes ao lado de João Lourenço, acompanhados de símbolos considerados intimidatórios.
ANÁLISES SOBRE HIGINO CARNEIRO REACENDEM POLÉMICA
Mais recentemente, as intervenções de David Mendes na Rádio Correio da Kianda, particularmente as suas análises relacionadas com o caso Higino Carneiro, terão contribuído para intensificar as críticas dirigidas ao jurista.
As suas opiniões continuam a dividir os internautas, entre aqueles que defendem a liberdade de expressão do comentador e os que contestam a sua interpretação dos acontecimentos políticos nacionais.
Fontes próximas da família revelaram à nossa redacção que a preocupação com a segurança do jurista não é recente. Segundo essas fontes, pressões familiares terão contribuído para que David Mendes deixasse de participar em programas de comentário político da TV Zimbo e de uma estação televisiva moçambicana.
FAMÍLIA TEME PELA SEGURANÇA DO “ADVOGADO DOS POBRES”
A crescente hostilidade nas redes sociais estará a gerar inquietação entre familiares e pessoas próximas de David Mendes, sobretudo devido ao histórico de ameaças que o jurista denunciou nos últimos anos.
Embora não esteja confirmada a existência de um plano concreto para atentar contra a sua vida, o passado de intimidações e o teor dos comentários actualmente denunciados levantam preocupações sobre a necessidade de proteger a sua integridade física.
O caso volta a colocar em discussão os limites do confronto político em Angola e a importância de garantir que as divergências de opinião não se transformem em ameaças, perseguições ou actos de violência.
Independentemente das posições políticas defendidas por David Mendes, o direito à liberdade de expressão e à segurança pessoal deve ser respeitado.
A crítica política é legítima numa sociedade democrática, mas nenhuma divergência ideológica pode justificar ameaças de morte contra um cidadão.
A nossa redacção continuará a acompanhar os desenvolvimentos desta situação, particularmente no que diz respeito à segurança do jurista e à eventual intervenção das autoridades competentes.
Gabriel Mufuma
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