Estado angolano acumulava, no final de Setembro, uma dívida comercial certificada de 2,302 biliões Kz, distribuída por 573 credores e 679 processos, segundo informações prestadas pelo Ministério das Finanças ao Expansão. Para 2027, o Governo prevê pagar 512 mil milhões Kz, o equivalente a 22,2% do montante em atraso. Contudo, a redução efectiva da dívida será inferior se, como aconteceu nos últimos anos, continuarem a ser reconhecidas novas responsabilidades.
Caso fossem pagos os 512 mil milhões Kz e não surgissem novas certificações ou alterações cambiais, o stock actualmente reconhecido diminuiria para cerca de 1,79 biliões Kz. Ao ritmo de pagamentos previsto para 2027, seriam necessários aproximadamente quatro anos e meio para liquidar os 2,3 biliões Kz actualmente certificados, admitindo que não surgissem novas responsabilidades. A regularização integral poderia, assim, prolongar-se até 2031, num cenário puramente teórico.
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O problema é que a experiência recente mostra que os pagamentos não se traduzem integralmente na diminuição da dívida. Além de liquidar responsabilidades antigas, o Estado continua a reconhecer obrigações que não estavam incluídas no stock certificado. A construção e reabilitação de infra-estruturas concentra 1,678 biliões Kz, correspondentes a 72,9% da dívida comercial certificada. Significa que quase três em cada quatro kwanzas em atraso dizem respeito a empreitadas, instalações e obras de reabilitação realizadas para o Estado.
A segunda maior categoria é a aquisição de víveres e géneros alimentícios, com 208 mil milhões Kz (9%), seguindo-se os estudos, fiscalização e consultoria, com 98,5 mil milhões Kz (4,3%), a aquisição de imóveis, com 60,1 mil milhões Kz (2,6%), e os combustíveis e lubrificantes, com 49,2 mil milhões Kz (2,1%).
As restantes responsabilidades distribuem-se por serviços de manutenção, transportes, aquisição de materiais, processamento de dados, saúde.
Expansão
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