Os meus filhos fizeram-me recentemente uma pergunta que até certo ponto me deixou embaraçado, não como pai mas como dirigente político neste país desde o final dos anos 70.
"Pai fale-nos um pouco da vossa vida, do vosso passado na era colonial. Quais as grandes diferenças? O que foi que a independência acrescentou à vossa vida?"
Não foi fácil responder mas preferi jogar franco e aberto. Preferi dar-lhes parâmetros para poderem comparar.
Respondi assim:
Tudo relativisado, porque vivíamos na opressão colonial, mesmo se com o início e a intensificação da luta armada pelos movimentos de libertação, a dado momento eles (colonialistas) começaram a implementar políticas de grande impacto económico e social em beneficio dos autóctones sobretudo atravez de um programa a que chamaram Extensão Rural de Angola- ERA.
Naquela altura a economia de Angola dependia exclusivamente do desenvolvimento do sector primário. A agricultura e a pecuária atingiram um nível muito alto. Os principais produtos de exportação para a captação de divisas eram o café, o algodão, sisal, o rícino, madeira, com o petróleo no quinto lugar. Era uma economia sustentável e muito robusta.
Não temos hoje melhor saúde, não temos melhor educação, não temos maior poder de compra nem mais poupança.
Não há emprego, não temos serviços, a administração pública não está ainda apurada. A nossa segurança e a dos nossos bens não está assegurada, os transportes públicos, a habitação, a rede se estradas primárias, secundária e terciárias, entre outros...
Naquela altura, 75% da população vivia no meio rural e era responsável de cerca de 80% da produção nacional atravez da agricultura familiar. Hoje e segundo o último senso da população de 2014, a população do país movimentou-se para as cidades sendo que hoje apenas 25% da população vive no meio rural e com a falta de estradas ela passou a produzir apenas para a sua subsistência. E o que fazem os 75% da população que imigrou para os centros urbanos? As cidades não têm indústrias, não têm outros serviços capazes de absorver tanta força de trabalho. As pessoas dedicam-se à actividade de comércio informal, precário e especulativo. Não pruduz riqueza.
Portanto, minhas queridas filhas, em resumo eu posso dizer-vos que o ganho que tive com a independência foi sem sombra se dúvidas a NACIONALIDADE ANGOLANA que mesmo assim, não a tenho ha 44 anos mas apenas há 17 anos devido a problemas de ordem política que surgiram pouco antes da independência e que fracturaram profundamente o país dando origem a uma guerra civil em que uns quiseram impôr um modelo de partido único e outros a democracia multipartidária.
Seja como for, ando de cabeça erguida e exibo o meu passaporte angolano com orgulho onde quer que passe por este mundo fora. As dificuldades económicas e sociais que assolam o país podem ser vencidas desde que haja da parte da classe dirigente, vontade política, diálogo institucional a todos os níveis, uma nova forma de organização política e administrativa e escolha de modelos de desenvolvimento universalmente reconhecidas como eficazes. Seja como for este país é mais vosso do que nosso pelo que ele será amanhã o que vocês queserem hoje que ele seja. Preparem-se bem, o saber é que constrói as nações. Deus deu-nos a inteligência. Usemo-la para o bem comum.
Assim não sei se respondi mal aos meus filhos...
Por: Lukamba Gato
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1 Comentários
complicado
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