Luta pela sobrevivência: Adolescentes procuram moedas na via pública para ajudar em casa

De tempo em tempo, vários órgãos de comunicação social denunciam casos de pobreza extrema, ou de crianças que morrem de fome na capital de Angola. A situação tende a agravar-se com o surgimento da Covid-19, que tirou vários meios de sustento de milhares de encarregados, que são obrigados a repensar numa forma de subsistência.

No sábado, 11, a equipa de reportagem do Na Mira do Crime deparou-se com quatro adolescentes que, carregando cada um, um ferro que suportava um imã, palmilhavam as ruas do Distrito do Baia em busca de moedas de kwanza.

Os meninos, que vivem em Viana, Distrito do Baia, bairro Tempo Muda, explicaram que têm a mesma rotina durante a semana.

Agostinho Magalhães Fernando, de 15 anos de idade, vive com os seus pais e mais quatro irmãos menores, e diz que procura dinheiro para puder ajudar a mãe, uma vez que a mesma depende de comércio, e neste momento está sem dinheiro para comprar negócios.

“Estou a procurar moeda para dar na minha mãe e ela puder comprar tomate para vender”, disse. O petiz, que já conseguiu um cesto onde a sua progenitora poderá conservar o produto, explicou que o pai está desempregado, por isso sente que tem a obrigação de ajudar com alguma coisa.

Mingo João Ideia, 16 anos de idade, tem a história idêntica a de Fernando, vive com os pais e os irmãos, e pretende ajudar em casa.

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“Diariamente podemos apanhar 500 kwanzas, com este dinheiro, tiramos cem kwanzas para comprar bolinho para comermos durante o dia, e o resto levamos em casa para ajudar no jantar”.

José Martins, 16 anos de idade, sonha ser Polícia, mas, como não frequenta a escola por falta de meios, teme que o seu sonho não seja realizado. “Não estou a estudar porque não temos dinheiro, sonho ser polícia, mas sem estudar acho que não vou puder entrar na polícia”, reflectiu.

Cândido José, 13 anos de idade, disse que quando crescer quer ser professor, e só está na rua porque em sua casa há falta gritante de alimentos.

 “Quando há matabicho, falta almoço, e quando há almoço, pode faltar o jantar. Às vezes passamos mal com a fome”, atirou. A ideia do menor, já foi atingida por Fernando, e é comungada por todos amigos, “queremos comprar cesto para oferecer nas nossas mães, para que possam vender muito tomate”. De acordo com os nossos entrevistados, as suas progenitoras são todas vendedeiras do Mercado do 30.

Saiba mais sobre este assunto, clicando neste link https://youtu.be/aOPCIN3OQZQ

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