Pouco tempo depois do alcance da Paz em 2002 (o maior bem político depois da Independência alcançada em 1975), o então Governo liderado por José Eduardo dos Santos deu início ao que designou por Programa de Reconstrução Nacional. Para viabilizar o megaprojecto, foi criado, a 20 de Outubro de 2004, o Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN).
Nos anos seguintes, multiplicou-se no território nacional uma quantidade industrial de obras diversas, desde às de tipo reabilitativo, passando pelas de tipo requalificativo até às de tipo de raiz (construção de novas infraestruturas). Angola era «um canteiro de obras», disse José Eduardo dos Santos. O Programa de Reconstrução Nacional foi iniciado e levado a cabo numa altura em que Angola vivia a mini-idade de ouro da sua economia, que crescia a níveis fabulosos.
Fisioterapia ao domicílio com a doctora Odeth Muenho, liga agora e faça o seu agendamento, 923593879 ou 923328762
Em 2011, o Gabinete de Reconstrução Nacional foi, porém, extinto, ao abrigo do Decreto Presidencial n.º 217/11 de 8 de Agosto. Em seu lugar foi criado o Gabinete de Obras Especiais (GOE). O discurso oficial do Governo para justificar a extinção do GRN resumia-se nesta sentença: «a reconstrução nacional foi realizada».
Todavia, à medida que os anos posteriores a 2011 se seguiram, surgiram questionamentos de vária ordem, que basicamente punham em causa a reconstrução nacional levada a cabo na década seguinte ao fim da guerra, tais como estes: por que o Programa de Reconstrução Nacional foi encerrado? Houve em Angola reconstrução ou reabilitação? Os graves problemas de infraestrutura que Angola enfrenta não denunciam que a reconstrução nacional foi uma farsa?
Ora, eu tenho afirmado (sobretudo em sala de aula) que, embora o próprio «Homo angolensis» viva a realidade toda, é importante termos noção do tipo de país que é Angola no que aos parâmetros da ciência do desenvolvimento diz respeito. Neste sentido, existem vários índices que medem o desenvolvimento
de todos (ou particamente todos) os países do mundo. Os mais conhecidos são Índice de Desenvolvimento Humano, o Índice de Liberdade Económica, o Índice de Progresso Social, o Índice de Facilidade para Fazer Negócios, o Índice de Percepção da Corrupção etc. Há também os índices continentais, como o Índice Ibrahim para a Governação e o Índice Africano de Desenvolvimento Humano.
Para a maioria dos Angolanos e Angolanas são, porém, uma absoluta novidade estes índices: Índice de Conhecimento Global https://www.knowledge4all.com/en/Ranking) e o Índice de Economia do Conhecimento (disponível aqui: https://pt.knoema.com/atlas/topics/Classifica%C3%A7%C3%A3o-do-mundo/Rankings-Mundial/%C3%8Dndice-da-Economia-do-Conhecimento).da-Economia-do-Conhecimento). Este último foi descontinuado. Sua última edição foi em 2012.
O Índice de Conhecimento Global, em termos simples, é um instrumento que mede e classifica a produção de conhecimento, o acesso ao conhecimento (via instituições) e a qualidade do uso do conhecimento na promoção do desenvolvimento sustentável.
Na edição 2020, os países que ocupam os primeiros 25 lugares são: (1) Suíça, (2) Estados Unidos, (3) Finlândia, (4) Suécia, (5) Países Baixos, (6) Luxemburgo, (7) Singapura, (8) Dinamarca, (9) Reino Unido, (10) Hong Kong, (11) Alemanha, (12) Japão, (13) Noruega, (14) Irlanda, (15) Emirados Árabes Unidos, (16) Áustria, (17) Bélgica, (18) Islândia, (19) Coreia do Sul, (20) França, (21) Israel, (22) Nova Zelândia, (23) Austrália, (24) Canadá, e (25) Estónia.
Quanto à Angola, ocupa a posição 137, ou seja, é penúltima, sendo que está apenas à frente do Chad. Acontece que os últimos 25 países são, na sua maioria africanos, o que quer dizer que ANGOLA é o segundo pior país africano.
O Índice da Economia do Conhecimento, em termos simples, foi um instrumento que media e classificava o uso do conhecimento (saber, saber-fazer, know-how, savoir-être) para gerar valores tangíveis e intangíveis (riqueza material e imaterial).
Na edição 2012, os países que ocupavam os primeiros 25 lugares eram: (1) Suécia, (2) Finlândia, (3) Dinamarca, (4) Países Baixos, (5) Noruega, (6) Nova Zelândia, (7) Canadá, (8) Alemanha, (9) Austrália, (10) Suíça, (11) Irlanda, (12) Taiwan, (13) Estados Unidos da América, (14) Reino Unido, (15) Bélgica, (16) Islândia, (17) Áustria, (18) Hong Kong, (19) Estónia, (20) Luxembirgo, (21) Espanha, (22) Japão, (23) Singapura, (24) França, e (25) República Checa.
Angola (cuja reconstrução nacional fora concluída, segundo o Governo) ocupava então a posição 142, atrás Eritreia (141) e à frente da Serra Leoa (143) e Myamar (144).
Basicamente, o período de crise económica (iniciado em 2014) tem revelado ao extremo as fragilidades, isto é, as deficiências e insuficiências de que Angola padece em diversos domínios, sendo que todo o discurso propagandista feito nos 15 anos posteriores ao alcance da Paz revelou-se uma mentira.
«O país tem rumo», dizia-se.
Era tremenda a ilusão de que Angola estava a caminho ser um país com níveis de organização que, por sua vez, permitissem a tomada do caminho para o desenvolvimento.
O país continua a chafurdar no denso pântano civilizacional em que se encontra há décadas. E as promessas do actual Presidente da República são uma nova versão das mentiras e mentirolas que o regime do MPLA tem ventilado aos quatro cantos.
A esperança que muitos Angolanos e Angolanas tinham na figura de João Lourenço desvaneceu-se. «Corrigir o que está mal e melhorar o que está bem» com o MPLA no poder é uma ilusão e um exercício de ingenuidade.
Viabilizar Angola, ou seja, fazer com que deixe de ser um projecto falhado, requer de todas as forças pela mudança trabalhem como uma orquestra, e que a obra seja executada até ao fim.
Lil Pasta News, nós não informamos, nós somos a informação




0 Comentários