Lúcio Lara, o pai asceta do MPLA (1929-2016)- In memórias

 


Lúcio Lara, figura icônica da política angolana e fundador do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), faleceu aos 27 de Fevereiro de 2016, aos 86 anos na clínica Girassol, em Luanda. Lara, conhecido por sua integridade de caráter e devoção aos princípios marxistas-leninistas, deixou um legado duradouro no cenário político do país.


Nascido em 9 de abril de 1929, em Nova Lisboa (atual Huambo), Lúcio Rodrigo Leite Barreto de Lara era filho de um comerciante e funcionário público e de uma angolana descendente de um líder tradicional. Após concluir seus estudos em Angola, ele partiu para Portugal, onde se formou em Físico-Química na Universidade de Coimbra. Durante sua estadia em Coimbra, ele se envolveu no ativismo político e literário, escrevendo poesia e participando de organizações anticolonialistas.



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Perseguido pela polícia política portuguesa (PIDE), Lara foi forçado a deixar Portugal em 1959, fugindo para a Alemanha com sua esposa, filha de refugiados judeus alemães. Ele posteriormente passou por vários países, incluindo Tunísia, Marrocos, Guiné-Conacri e Congo, onde adotou um amigo congolês de seu filho. Enquanto lutava contra o poder colonial, Lara trabalhava em empregos simples para se sustentar e também dava aulas de matemática, química e física.


Após a queda da ditadura portuguesa em 1974, Lúcio Lara retornou a Angola e desempenhou um papel fundamental na organização do MPLA em todo o país. Embora tenha recusado a oportunidade de se tornar o sucessor do presidente Agostinho Neto, optando por apoiar José Eduardo dos Santos, Lara ocupou vários cargos importantes dentro do partido ao longo de sua vida.


Conhecido por sua modéstia e estilo de vida austero, Lúcio Lara foi elogiado por sua integridade e devoção aos ideais políticos que defendia. Sua casa em Luanda, localizada na rua Comandante Stone, era desprovida de segurança ostensiva, o que refletia o respeito que o povo angolano tinha por ele. Embora seu nome não esteja presente em nenhuma rua, sua influência e legado foram homenageados pela comunidade, que se referia a festas e encontros na "rua do Lúcio Lara".


Além de sua dedicação à política, Lúcio Lara tinha um grande interesse pela história e pela documentação. Apaixonado por fotografia, ele registrou sua jornada política e manteve uma extensa coleção de documentos. Após sua aposentadoria da vida política, ele dedicou-se à Associação Tchiweka de Documentação, uma organização que preservava e divulgava a história de Angola.


Lúcio Lara será sempre lembrado como um dos pilares do MPLA e um defensor incansável dos princípios marxistas-leninistas. Sua integridade, modéstia e devoção aos ideais políticos deixaram uma marca indelével na história de Angola. A nação angolana presta homenagem a esse homem cuja vida foi um testemunho vivo de suas convicções.


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