As rainhas vão nuas…



A crise sem precedentes por que passa a Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto (FMUAN), considerada “mãe e berço” dos cursos de Ciências Médicas leccionados todas as universidades, publicas e privadas, coincide com uma singularidade histórica: todas as instituições que deveriam concorrer para o seu bom funcionamento são dirigidos por professores catedráticos, todos eles médicos formados naquela faculdade. 

O facto de as ministras do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, Maria do Rosário Bragança, e da Saúde, Sílvia Lutucuta, serem ambas médicas formadas na FMUAN e professoras catedráticas nessa mesma instituição à priori pressuporia que, conhecedoras, ambas dos cantos à casa, mais facilmente mobilizariam os apoios, essencialmente políticos, indispensáveis ao seu bom funcionamento.  

No caso da FMUAN há uma outra coincidência: tanto o Reitor da principal Universidade pública, Pedro Magalhães, quanto a decana do curso de Medicina, Fernanda Dias Monteiro, também são ambos médicos e professores catedráticos formados e leccionam nessa faculdade. 

Por fim, degradação da qualidade de ensino de ciências de saúde nas universidades públicas coincide com um discurso, repetitivo, do Presidente da República, de exaltação do número de unidades hospitalares construídas no pós-independência e, sobretudo, nos últimos sete anos do seu governo.



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Não há convergência entre a construção de hospitais de primeiro mundo e uma deficiente formação de médicos que é suposto virem a servir essas unidades hospitalares. 

Um dos dois únicos médicos (o outro foi Mateus Bittencourt, Neurologista, Professor Catedrático e antigo decano da FMUAN) que aceitaram participar do Conversas Essenciais do passado sábado, 23, para debater a avaliação externa aos cursos de Ciências Médicas de todas as Instituições de Ensino Superior (IES), que, globalmente, é negativa às universidades públicas, com a UAN à cabeça, Maurílio Luiele tem uma opinião que destoada da generalidade dos seus colegadas. 

Médico e docente de Bioquímica da Faculdade de Medicina da UAN, Maurílio Luiele diz que a avaliação externa às IES, que arrasou a FMUAN, foi bastante útil e oportuna porque identifica e expõe, de maneira crua, debilidades que o poder político sempre preferiu ocultar debaixo do tapete. 

Agora que o “lixo” foi exposto, o Executivo do Presidente João Lourenço, de que Maria Bragança e Sílvia Lutucuta fazem parte desde a primeira hora, tem uma de duas opções: ou enfiar a cabeça na areia, como faz a avestruz e continuar a fingir que está tudo bem, ou toma a corajosa, mas impopular, decisão de suspender temporariamente os cursos de Ciências Médicas das universidades públicas. 

No texto, que o Correio Angolense publica, Maurílio Luiele coloca no papel o essencial do que disse e defendeu nas Conversas Essenciais de sábado, 23 de Março de 2024.

Correio Angolense publicará, igualmente, “desabafos” dos Médicos Maurício Caetano e Xavier Jaime, nas respectivas páginas do Facebook, sobre a avaliação externa aos cursos de Ciências Médicas. Ambos sugerem que o culpado (o Executivo) está a responsabilizar a culpa…

Correio Angolense

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