CARTA ABERTA AO MÚSICO TSUNAMI- Aguinaldo de Oliveira



Caro Tsunami,


O talento é um dom raro. Quando se soma carisma, criatividade e uma voz que ecoa nos bairros e nas grandes cidades, nasce algo capaz de inspirar e transformar. É inegável que, nos últimos tempos, a sua música conquistou atenção e marcou presença no cenário cultural.


Porém, também é verdade que as algumas das suas composições e atuações recentes suscitaram debates intensos, especialmente pelo teor considerado obsceno por muitos ouvintes.


Vivemos num tempo em que a arte é livre, mas essa liberdade vem acompanhada de responsabilidade. O artista que escreve ou está em palco para milhares de jovens influencia não apenas o gosto musical, mas também comportamentos, visões e valores. 


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Quando uma letra é interpretada como ofensiva ou degradante, ela não afeta apenas o artista, mas também a percepção que a sociedade constrói sobre a própria juventude e a cultura nacional.


Tem-se observado, nas redes sociais e em alguns meios de comunicação, uma campanha para “cancelar” o seu nome. É importante entender que, por detrás de parte dessas críticas, podem existir interesses alheios à arte, intriga, oportunismo e até tentativas de silenciar uma voz que, de alguma forma, incomoda. Se a reação for apenas de confronto ou desprezo, corre-se o risco de alimentar ainda mais essa campanha de ódio.


A recomendação, portanto, é adotar um posicionamento inteligente e estratégico:


1. Reconhecer publicamente a importância de respeitar públicos diversos, especialmente menores de idade.


2. Demonstrar abertura para refletir sobre as letras e, se necessário, ajustá-las sem perder a autenticidade artística.


3. Transformar a polêmica em diálogo, promovendo debates sobre liberdade de expressão, cultura e valores.


4. Fortalecer projetos musicais que transmitam também mensagens construtivas, equilibrando diversão e consciência.


O “adoço” sempre existiu no Kuduro. No passado, era visto como exagero, humor ou até provocação artística, algo que Sebem soube explorar e popularizar. Tu não foges a esse subgénero, pois faz parte da tua identidade artística.


No entanto, amigo Tsunami, se não souberes equilibrar a fama com a forma como “adoças” nas tuas letras e performances, estarás a dar combustível para àqueles que querem ver a tua queda. Muitos deles, nos holofotes, estados e outras plataformas, estão contigo, bebem contigo, divertem-se contigo, mas, nos bastidores, intensificam a tua descida.


A história da música urbana angolana já provou que talento não basta para garantir longevidade. É preciso estratégia, inteligência e consciência do impacto das tuas palavras. Hoje, cada música que lanças é também uma mensagem, e cada mensagem pode fortalecer a tua marca ou oferecer munição aos teus detratores que na sua maioria são os teus colegas.


O meu conselho é simples, preserva a tua autenticidade, mas adapta a tua comunicação. Pensa no futuro, diversifica os temas e mostra ao público que és mais do que a polémica. Assim, não só manterás o respeito do teu público fiel, como conquistarás novos admiradores que talvez hoje te critiquem.


Tsunami, irmão angolano, a maré alta pode ser de destruição ou de renovação, tudo depende de como se conduz o barco. A tua trajetória ainda está a ser escrita, e é nas tempestades que se prova a grandeza de um artista. Usa a força do teu nome não apenas para agitar, mas para construir uma obra que, no futuro, seja lembrada com respeito e admiração.


Com consideração


Eng. Aguinaldo de Oliveira

Antigo Produtor da Business Records, Mártires de Kifangondo


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