Num passado muito recente, férias grandes em Angola eram sinónimo de ritual colectivo: para quem vivia no litoral, era praia de manhã à noite, com os miúdos a correr atrás das ondas e a mãe a gritar: “Não te afastes, Sábalo, o tubarão vai comer o teu dedo!”. Para quem vivia no interior, férias era pôr a família no Toyota de caixa aberta e descer até ao litoral ou, em alternativa, procurar um dos rios mais próximos. Porque, se há uma coisa que este país tem de sobra e não cobra imposto, é praia, tanto marítima como fluvial. Nesse capítulo, somos milionários.
Havia ainda os sortudos que conseguiam esticar um pouco mais a corda e iam gastar uns kwanzas em férias regionais, aproveitando o verão da SADC. De carro ou de avião, lá íamos nós. Estávamos em sintonia com os nossos vizinhos, os tais “irmãos” que nos recebiam de braços abertos para trocarmos praia por música, churrasco e cerveja.
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Mas esses tempos foram-se. Alguém, sentado numa cadeira com ar condicionado, decidiu que era melhor importarmos o calendário europeu. Até hoje ninguém sabe explicar o porquê. Mas pronto, disseram que era melhor “para TODOS”. Resultado? As férias grandes estão agora a acabar e, para a esmagadora maioria dos angolanos, viajar foi miragem. Os filhos ficaram em casa, os pais improvisaram distrações, e até o parque da girafa ficou entregue às moscas, porque o cacimbo resolveu simular comportamentos de europeu e dar um ar de Londres a Luanda.
Espero, sinceramente, que os verdadeiros beneficiários deste calendário regressem bronzeados, felizes e com muitas histórias de Paris, Algarve ou Cancún. Porque, para os que ficaram, a única coisa que mudou foi o calendário. A vida, essa, continua igual: sempre no improviso — só que agora sem praia.
Viva o turismo interno.
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