O MPLA NO FIO DA NAVALHA- Hitler Samussuku

 


A história contemporânea de Angola se confunde com a trajetória do MPLA. Desde a proclamação da independência, em 1975, o país é governado pelo mesmo partido. A independência foi alcançada com o apoio de Portugal, Cuba, União Soviética e outros aliados do bloco socialista, no contexto da Guerra Fria. A partir daí, todas as instituições do Estado angolano foram moldadas aos caprichos do MPLA, tanto no seu modus operandi quanto na sua estrutura burocrática.


Durante 16 anos, Angola viveu sob um regime monopartidário. O MPLA implantou um sistema de inspiração marxista-leninista — numa versão distorcida e autoritária — que excluiu outros movimentos do cenário político. Essa exclusão alimentou a resistência da UNITA, liderada por Jonas Savimbi, que reivindicava o cumprimento dos Acordos de Alvor, nos quais se reconhecia a legitimidade histórica dos três movimentos de libertação: FNLA, MPLA e UNITA. Os “pais da independência” eram, portanto, Holden Roberto, Agostinho Neto e Jonas Savimbi.


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Nenhuma nação nasce da intolerância. A resistência da UNITA pressionou por aberturas no sistema, o que resultou nos Acordos de Bicesse em 1991. Ainda assim, após as primeiras eleições em 1992, o país permaneceu sob o domínio do MPLA. Apenas em 2002, com o Memorando de Entendimento que selou o fim da guerra civil, Angola entrou num clima de paz — em plena coincidência com o boom petrolífero.


A economia passou a registrar taxas de crescimento impressionantes, mas as desigualdades sociais aprofundaram-se. A corrupção corroeu as estruturas governamentais, e, a partir de 2011, jovens começaram a organizar-se para contestar a hegemonia do MPLA. Em 2015, os protestos atingiram o auge, desgastando ainda mais o regime. A saída de José Eduardo dos Santos, após 38 anos de poder, parecia inaugurar uma nova etapa.


O sucessor, João Lourenço, optou por alinhar-se às instituições de Bretton Woods. O FMI e o Banco Mundial passaram a ditar as regras do jogo político e econômico, impondo medidas de ajustamento estrutural. Em contrapartida, a população viu a pobreza crescer de forma imparável, a fome dominar o quotidiano e as oportunidades desaparecerem.


Nesse cenário de descontentamento, a ascensão de Adalberto Costa Júnior à liderança da UNITA reconfigurou o tabuleiro político. A oposição uniu-se em torno da Frente Patriótica, cujo lema era mudança. Nas eleições de 2022, a victória da oposição foi sentida nas ruas e nas urnas, mas o MPLA manteve o controle absoluto das instituições: tribunais, forças de segurança, meios de comunicação e fundos públicos.


Hoje, quando Angola completa 50 anos de independência e de poder ininterrupto do MPLA, o país atravessa um momento de reflexão. O partido, outrora coeso, encontra-se desarticulado; camaradas perseguem-se mutuamente; o povo, impaciente, exige mudanças. A UNITA aparece como alternativa viável para esse processo de transformação.


Resta saber: João Lourenço permitirá uma transição pacífica e responsável ou apostará no tudo ou nada? O MPLA precisa de uma liderança capaz de entender que é preferível abrir mão do poder do que perder tudo o que foi construído desde 1975. Afinal, a paciência popular já não tem freios nem contrapesos. O povo — verdadeira cláusula pétrea da nação — exige mudança, e a mudança precisa ser sentida.


Hitler Samussuku


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