Urge construir aquilo que Dom Imbamba chamou de “construção do homem novo”. Angola precisa romper, de forma definitiva, com comportamentos que há quase 50 anos sabotam o desenvolvimento e explicam o falhanço crónico das instituições do Estado e a degradação progressiva da família.
Nada disto é acidental. Quando o país normalizou o termo “novinhas” para designar meninas exploradas por homens mais velhos, muitas vezes obrigadas a transformar o próprio corpo em moeda de troca para sobreviver, o Estado falhou gravemente. Pior: falhou quando professores universitários, ministros, ministros de Estado e governadores usaram o poder, o dinheiro público e a autoridade para corromper menores com idade para serem suas filhas. Isso não é cultura, não é modernidade, é decadência moral.
Hoje colhemos o resultado: um país mergulhado na imoralidade, onde o crime veste fato e gravata e a impunidade tornou-se política de Estado. Queremos combater a corrupção, mas colocamos corruptos a dirigir o Executivo, os tribunais e a PGR. É uma farsa. Não se combate o cancro entregando o hospital aos próprios doentes.
A juventude cresce sem referências, a família enfraquece e o Estado perde legitimidade, porque quem deveria dar o exemplo é quem mais desvia, mente e explora. Enquanto isso, os discursos falam de ética e patriotismo, mas as práticas continuam a ser de saque, promiscuidade do poder e abuso sistemático dos mais frágeis.
Sem uma rutura moral profunda, sem afastar os predadores do poder e sem responsabilização exemplar, Angola continuará presa a este ciclo de falhanço. Não haverá homem novo enquanto o velho sistema continuar a premiar a corrupção, a imoralidade e a impunidade.
Luís de Castro
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