BICUDO EMBARAÇO INSTITITUCIONAL OU JÁ NEM A ISSO SE CHEGOU? - Graça Campos

 


Pretenso “especialista” em tudo, desde a escolha e compra de aviões, à aquisição de autocarros de passageiros por preços que, em qualquer outro país decente já lhe teriam custado uma prolongada prisão, por escandaloso roubo, o Manhã de Manhã de Domingo transformou o que não passaria de uma pequena fofoca de bar num bicudo embaraço institucional.

Escudando-se no Ministério dos Transportes, Ricardo de Abreu emitiu ontem o que chamou de Nota de Repúdio a “conteúdos falsos, difamatórios e absolutamente infundados que têm circulado (...) em determinados grupos de mensagens e plataformas digitais” imputando-lhe, o que descreve como “acusações graves e sem qualquer correspondência com a verdade”.

De acordo com o ministro, tais conteúdos configurariam “uma prática irresponsável, atentatória do bom nome e da honra não apenas do Senhor Ministro dos Transportes, mas igualmente desta instituição e, por arrastamento, do próprio Executivo da República de Angola”.

Esparramada em 7 longos e tortuosos parágrafos, a choradeira do ministro em nenhum momento, contudo, identifica o que chama de conteúdos falsos, difamatórios e absolutamente infundados. Ou seja, o ministro não dá nenhum contexto ao caso.

Para se chegar às causas da choradeira é preciso recuar pelo menos um dia para encontrar nas redes sociais uma matéria que atribui ao ministro dos Transportes compulsão para “avanços” contra traseiros masculinos de funcionários do Ministério dos Transportes e das empresas por ele tuteladas.

Nessa “denúncia” apócrifa, não são referidos quaisquer outros membros do Executivo. O único “artista” é Ricardo de Abreu.

A alusão ao Ministério dos Transportes “e, por arrastamento, do próprio Executivo da República de Angola” é não apenas abusiva como é perigosa porque carrega o risco de espalhar suspeitas sobre todos os seus membros.  

O Titular do Poder Executivo não deveria ficar indiferente perante o uso abusivo do seu nome.

Angola é provavelmente o único país do mundo em que governantes apanhados na contramão espalham “a merda” sobre todos os colegas.

Nos anos 2000, então ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa disse que as críticas à compra de milionário vestido de casamento para a filha eram um ataque ao “Camarada Presidente”. 

O então Presidente da República não reagiu. Não se sabe (e jamais se saberá) se o silêncio de JES se deveu a patrocínio ou autorização a Bornito para que ele fosse ao bolso público tirar dinheiro para o milionário vestido ou se não soube de nada. O que não é muito crível.

No caso do Manhã de Domingo, o silêncio de João Lourenço pode ser a confirmação de que a Ricardo de Abreu é permitido tudo, incluindo espalhar suspeitas entre todos os membros do Executivo. O ministro parece mesmo ter carta branca para tudo. 

Retomo aqui duas ideias centrais: a) sem a reacção do Ministro, a "denúncia" teria "morrido" naturalmente; b) O silêncio do TPE faz recair sobre todos os seus auxiliares a suspeita de serem potenciais...Ou seja, doravante, os pobres funcionários públicos verão em cada ministro um potencial perigo aos seus traseiros.....

Obs: Sem background, como é que a bem comportada imprensa pública noticiou a posição de Ricardo de Abreu?

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