É a oportunidade.
A história mostra-nos isto vezes sem conta: basta uma grande potência avançar, testar limites, forçar linhas vermelhas, para que outras, em silêncio, abram as gavetas onde estavam guardados planos “sensíveis”, operações “adiadas”, dossiês que oficialmente não existiam. O momento certo nunca é anunciado, ele simplesmente acontece.
A operação dos Estados Unidos na Venezuela não é apenas um episódio isolado. É um sinal. Uma luz verde implícita. Uma mensagem não escrita mas perfeitamente compreendida por quem joga este jogo há décadas: o custo político de agir baixou.
E quando esse custo baixa, o mundo torna-se um tabuleiro perigoso.
Planos que estavam “na gaveta” como operações militares preparadas, estudadas, simuladas — deixam de acumular pó. Passam a ser revistos, ajustados, acelerados. O nevoeiro cria cobertura. A confusão cria margem de manobra. E a atenção do mundo, concentrada num ponto, permite movimentos noutros.
É nestes momentos que o direito internacional começa a parecer opcional. E é também aqui que percebemos a fragilidade do sistema global.
Num mundo em que a Organização das Nações Unidas já não é tida nem achada — onde resoluções são ignoradas, princípios são flexíveis e a “ordem internacional baseada em regras” depende de quem está a falar — a verdadeira linha de segurança deixa de ser a lei. Passa a ser a dissuasão.
E é por isso que, no meio deste barulho todo, quem realmente devia estar a perder o sono não são as grandes potências.
São os países que não têm armas nucleares.
Porque quando as regras deixam de contar, quando a arbitragem desaparece e o nevoeiro cobre o campo de batalha, a sobrevivência deixa de depender de quem tem razão — passa simplesmente a depender de quem detém poder suficiente para nunca ter de o justificar.
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