Um renomado especialista em Direito Empresarial expressou sua perplexidade diante das declarações de Eugênio Neto, empresário acusado de envolvimento no caso BESA, que mira Álvaro Sobrinho. O especialista discorda das alegações de Neto, que sugere que sua empresa teria sido criada a mando de uma família que, curiosamente, não figura em nenhum documento oficial relacionado à empresa.
“Ver um empresário que administra uma companhia amplamente financiada por instituições bancárias alegar que montou o negócio sob orientação de terceiros sem vínculos formais é alarmante”, comentou o especialista. Ele ressaltou que, no campo jurídico, as empresas surgem não de narrativas convenientes, mas de atos formais que incluem contrato social registrado, definição clara dos sócios, integralização de capital e transparência das responsabilidades.
A ausência de menção de uma família nos registros oficiais implica que essa entidade não faz parte da estrutura societária da empresa. “Afirmar que a criação da empresa ocorreu a mando de pessoas sem qualquer vínculo formal soa como uma tentativa de desviar responsabilidades ou de construir uma versão conveniente para o atual cenário jurídico”, observou o especialista.
Ele enfatizou que a responsabilidade empresarial, especialmente quando envolve financiamentos bancários, é irrenunciável e vinculada a instrumentos jurídicos. “Financiamentos demandam garantias, assinaturas e uma análise de crédito rigorosa. Aqueles que assinam os documentos são responsáveis, assim como os que constam no contrato social.”
O especialista concluiu que, em questões empresariais, a verdade é estabelecida por meio de documentos registrados, que não se alteram com versões oportunistas e estão isentos de lapsos de memória. “Com 67 anos de experiência, é essencial que todos, incluindo líderes empresariais, reconheçam a importância de agir com responsabilidade e respeitar a inteligência do público.”
A reflexão é clara: narrativas e discursos não substituem a realidade jurídica definida por registros formais.
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