Carta aberta ao Sr. Ministro Manuel Homem- Luís de Castro



Caro Manuel Homem,


Receba as minhas saudações, na esperança de que esta missiva o encontre de boa saúde.


Acompanhei, com profunda preocupação, o vídeo que V. Ex.ª divulgou recentemente, em reacção às denúncias de cidadãos que passaram a noite no chamado “centro de apoio aos utentes”. As imagens que circularam antes do seu pronunciamento mostravam algo que nenhum país que respeita o seu povo deveria tolerar: mães ao relento, algumas com filhos recém-nascidos, aguardando por documentos que são um direito básico do cidadão.


O vídeo apresentado por V. Ex.ª pareceu mais uma tentativa de suavizar a realidade do que de enfrentá-la com a seriedade que a situação exige. A dor de quem dorme no chão à espera de um passaporte ou de uma carta de condução não se resolve com encenações para as redes sociais.


Caro Ministro, o Ministério do Interior é uma instituição de enorme responsabilidade. Não é palco para gestos de ocasião, nem espaço para comunicação superficial. É um ministério que lida diariamente com a dignidade e os direitos fundamentais dos cidadãos.


Milhares de angolanos continuam a enfrentar filas intermináveis, atrasos injustificáveis e humilhações silenciosas para obter documentos elementares. As reclamações multiplicam-se e o desespero cresce. E quando o povo sofre, não basta reagir com vídeos; é preciso agir com soluções.


Falo com respeito, mas também com franqueza: o país precisa de respostas, não de paliativos. Precisa de instituições que funcionem e de governantes que encarem os problemas de frente.


Que esta situação sirva não para alimentar polémicas, mas para despertar consciência. Porque quando um povo dorme no chão para exercer um direito, o problema deixou de ser administrativo passou a ser moral.

Com consideração institucional.


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