Na Embaixada da Guiné Equatorial em Angola: Embaixadores envolvidos em assédio sexual e maus-tratos de funcionários “brincam” com a justiça angolana



Continuam as denúncias que envolvem entidades diplomáticas da embaixada da Guiné Equatorial em Angola, sendo visados o actual embaixador plenipotenciário do país de Teodoro Obiang Nguema, Protasio Edu Edjang Nngana e o antigo embaixador da Guiné Equatorial acreditado em Angola, Marcos Mba Ondo Andeme, acusados de várias irregularidades enquanto representantes da missão diplomática em Angola. 


Protasio, segundo fontes, foi agora nomeado para ser o embaixador da Guiné Equatorial na República Centro-Africana, no entanto, a sua passagem por Angola não mostra alguma produtividade, uma vez que, para além de baixar os salários dos seus funcionários, retirou os salários bancarizados, não actualizou os trabalhadores angolanos na Segurança Social, e é investigado por alegado envolvimento sexual com várias raparigas angolanas, em troco de dinheiro, na sua casa diplomática.


Após denúncia efectuada por vários órgãos de imprensa em janeiro de 2025, ilustrando descontentamento dos funcionários daquela representação consular, outros cidadãos nacionais mostraram o seu desagrado com esta representação diplomática da costa ocidental da África Central.


Para além do jovem José Pedro que trabalhou mais de 13 anos naquela embaixada, expulso depois de cair doente após “pisar tala”, o cidadão nacional de 47 anos de idade lamenta que foi expulso sem ser indemnizado e sem receber um único tostão, mesmo depois de recorrer ao Ministério das Relações Exteriores (MIREX).


 “É o país que temos, trabalhei mais de 13 anos naquela embaixada, fiquei doente com tala, mostrei ao embaixador a ferida e como estava a perna, mas depois de uma semana que fiquei em tratamento, quando voltei me chotaram porque disseram que eu estava a cheirar mal”, lamentou.


Sobre o embaixador Protasio, muito há que se investigar, e todas as evidências foram reveladas, deixando ao critério das autoridades angolanas, que teimam em não pôr termo a uma figura que não respeita os direitos dos seus trabalhadores e nem se faz respeitar. 


Sobre o embaixador Marcos Mba, que actualmente é vice-ministro das Relações Exteriores da Guiné Equatorial, pesa sobre si um processo no Tribunal Provincial de Luanda (Dona Ana Joaquina) na Terceira Secção, com o número 1113/20, acusado de assédio sexual e perseguição laboral, pela sua ex-cozinheira angolana, Carolina Afonso.


No estranho que pareça, é que o mesmo processo segue sem pernas para andar, e a vítima, mesmo depois de escrever para o MIREX, foi relegada a sua sorte e lamenta profundamente que o Governo Angolano admite que diplomatas desta “espécie” maltratem cidadãos angolanos e saiam impunes.


Em entrevista exclusiva ao Jornal Na Mira do Crime, Carolina afirma ter sido posteriormente afastada do trabalho depois de quase quatro anos ao serviço na residência diplomática. 


Carolina Afonso, relata que o vínculo laboral teve início a 4 de Julho de 2016, quando foi contratada como cozinheira na residência oficial do diplomata. 


Após um período inicial de avaliação, passou a exercer funções de forma permanente, auferindo um salário equivalente a 700 dólares norte-americanos, pagos em kwanzas.


 Durante cerca de dois anos, afirma, o ambiente de trabalho decorreu sem incidentes relevantes. 

A situação teria mudado em 2018, quando o embaixador viajou com a sua esposa para a sua terra natal, e regressou em Angola sem a família e sugeriu que uma das funcionárias passasse a pernoitar na residência para garantir assistência fora do horário habitual. 


De acordo com a ex-trabalhadora, o diplomata manifestou preferência para que fosse ela a assumir essa função, mesmo a ter uma governanta em casa, que cuidava deste trabalho. 


Carolina Afonso afirma ter recusado a proposta, alegando motivos familiares, o que, segundo o seu testemunho, marcou o início de um período de constrangimentos no local de trabalho. 


A sua forma física, bem constituída, terá chamado atenção ao embaixador, que começou a assediá-la sexualmente.


 A senhora sustenta que, após a recusa, passou a ser alvo de comportamentos que considera intimidatórios, incluindo convites para pernoitar na residência do diplomata. 


Relata ainda episódios de contacto físico não consentido e outras situações que descreve como tentativas de aproximação pessoal por parte do embaixador, que exibia o seu órgão genital ereto na senhora. 


Num dos episódios narrados, Carolina afirma ter sido convidada para jantar na Ilha de Luanda, sob pretexto de avaliar um prato servido num restaurante. No local, segundo conta, o embaixador teria feito comentários de natureza íntima, que ela diz ter rejeitado. 


"Éramos três funcionárias, mas ele só estava atrás de mim, mesmo lhe explicando que tenho marido e sou casada", disse. 


A funcionária afirma também que, após reiteradas recusas, o diplomata teria começado a procurar motivos para justificar o seu afastamento. Entre as razões apontadas, segundo a ex-trabalhadora, estariam alegações de falta de higiene e críticas à qualidade da comida preparada. 


O afastamento da cozinheira ocorreu após um incidente quando a sua colega teria queimado uma metade de pão, facto este que resultou na sua  expulsão.


A ex-funcionária diz que recorreu à Inspecção Geral do Trabalho (IGT), onde apresentou queixa formal. 

Durante o processo de mediação, foi acordado que Carolina Afonso deveria ser indemnizada em 2 milhões e 202 mil kwanzas. 


Segundo a denunciante, o valor seria pago por transferência bancária uma semana após o acordo. No entanto, afirma que o pagamento nunca foi efectuado. 


Diante da situação, a ex-trabalhadora enviou também uma carta ao Ministério das Relações Exteriores de Angola (MIREX), solicitando intervenção institucional.


 Sem resposta, decidiu avançar com um processo junto à sala do trabalho do Tribunal da Comarca de Luanda. 


No entanto, o estatuto de diplomata faz com que estas duas figuras sintam-se intocáveis, e tratem os funcionários angolanos como bem lhe dá na gana.  


O caso continua sem decisão judicial definitiva, enquanto nos corredores do Ministério da Relação Exterior de Angola, prevalece um silêncio cúmplice.


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Fonte: https://www.secretonews.net/2026/03/na-embaixada-da-guine-equatorial-em.html


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